A Bahia tem o maior índice de analfabetismo do Brasil?

Sim. A Bahia historicamente apresenta uma das maiores taxas de analfabetismo do país. De acordo com o Censo de 2022, o estado possui o maior número absoluto de pessoas não alfabetizadas: cerca de 1,42 milhão de baianos com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever. Embora a taxa de analfabetismo esteja em queda, os avanços ainda são tímidos em comparação a outros estados, o que mantém a Bahia em uma posição desfavorável no ranking nacional.
Apesar disso, o estado tem demonstrado progressos. Em 2024, a taxa de analfabetismo na Bahia caiu para 9,7%, com aproximadamente 1,2 milhão de pessoas analfabetas. Ainda assim, a desigualdade persiste: seis em cada dez analfabetos são idosos, o que revela também uma dívida histórica com a educação básica, especialmente nas camadas mais vulneráveis da população.
A Bahia está localizada na região Nordeste e é o quinto maior estado do Brasil em extensão territorial, com mais de 564 mil km². Sua população estimada é de aproximadamente 14,9 milhões de habitantes, o que representa 7,1% do total nacional. Essa grande população ajuda a explicar, em parte, os números elevados de analfabetismo, mas não justifica a persistência dessa realidade.
Em termos de desempenho educacional, o estado alcançou 5,3 pontos nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), superando a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre 2007 e 2021. No entanto, o progresso, embora real, ainda está aquém do necessário para transformar de forma significativa o cenário educacional.
Reflexão: para onde caminha a educação na Bahia e no Brasil?
Os dados revelam um problema estrutural que vai além dos números. A qualidade da educação pública no Brasil — e especialmente na Bahia — depende de uma série de fatores que envolvem alunos, professores, colaboradores, municípios, estados e o governo federal. Ainda assim, os resultados estão longe de refletir o que se espera de uma educação de qualidade.
Os alunos, sobretudo da rede pública, permanecem reféns das políticas públicas educacionais de seus respectivos municípios e estados. Na prática, são muitas vezes coadjuvantes em um sistema que pouco os escuta. As decisões sobre seus destinos educacionais são tomadas por gestores que frequentemente divergem em prioridades e estratégias, o que prejudica diretamente o aprendizado. No fim, são os estudantes que pagam o preço com um ensino deficiente e limitado.
Do lado dos professores, há constantes reivindicações por formação continuada, melhores condições de trabalho, estrutura física adequada nas escolas e, sobretudo, salários justos. Há um senso comum que afirma que os professores da rede pública, por enfrentarem mais desafios, são mais preparados do que os da rede privada. No entanto, quando analisamos os resultados em exames nacionais, como o Enem, os alunos da rede privada continuam com desempenho muito superior, o que evidencia as desigualdades no sistema.
Quanto aos colaboradores das escolas públicas — como merendeiras, porteiros, auxiliares e técnicos — muitos enfrentam insegurança profissional. Em diversos municípios, eles são contratados temporariamente, muitas vezes por meio de critérios pouco transparentes, recorrendo ao velho “QI” (quem indicou). Essa precarização compromete a qualidade do ambiente escolar e a continuidade dos serviços.
A distância entre a educação pública e a privada também se evidencia no nível de alfabetização. Há relatos de professores que afirmam que muitos alunos do sexto ano não sabem ler ou escrever adequadamente, tampouco conseguem interpretar um texto simples. Essa realidade é alarmante e levanta a pergunta: de quem é a culpa por tamanha desigualdade no ensino?
É comum ouvir que a família precisa estar mais presente na vida escolar dos filhos — e isso é verdade. O envolvimento familiar é essencial, seja na escola pública ou na privada. No entanto, a responsabilidade maior recai sobre o Estado, que deve garantir políticas públicas eficazes, investimentos consistentes e um sistema educacional justo e inclusivo.
Conclusão
A Bahia tem feito avanços, mas ainda carrega o peso de um histórico de negligência educacional. Superar o analfabetismo e melhorar a qualidade do ensino exigem políticas sérias, continuidade administrativa, valorização dos profissionais da educação e, sobretudo, um compromisso real com o futuro das crianças e jovens.
A educação transforma vidas — mas, para isso, precisa ser prioridade de fato, e não apenas discurso.
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