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Você sabe quem eu sou — ou quem eu poderia ser?

Sou uma promessa, não um compromisso.
Fui prometida há 19 anos, em 2007. Disseram que eu seria um vetor de transformação para dezenas de cidades, que me tornaria a maior obra do meu estado. Garantiram que minha construção duraria quatro ou cinco anos.
Mas, no entanto, aqui estou: 19 anos depois… ainda presa nos estudos, audiências públicas, seminários, rodas de conversa, reuniões em gabinetes e até viagens ao exterior.
Sou projeto. Sou discurso. Sou espera.

Dizem que é um longo processo de análise técnica. Mas, francamente, 19 anos em fase de “alfabetização”? Já passou da hora de eu ser aprovada, de enfim “passar de ano”. Quem sabe agora, com uma nova mentalidade na educação — onde repetir já não é mais regra — eu possa avançar de verdade.

Sim, fui prometida em 2007.
Em 2013 e 2014, o meu “idealizador” — que se dizia um corredor incansável — jurou que iria me tirar do papel. Correu tanto… que o tempo passou, e nada aconteceu.
Depois, passou a bola para outro — Nada contra. Mas entre trocas de comando e promessas refeitas, só uma coisa permaneceu: a promessa.

Prometeram que eu sairia dos estudos, que seria realidade. Que seria vetor de desenvolvimento, orgulho do povo baiano. Que minha imponência sobre a Baía de Todos-os-Santos me tornaria um cartão postal, quem sabe até uma nova maravilha do mundo moderno.

Mas sigo onde sempre estive: no papel.

O povo? Vive de discussões, seminários e audiências.
E eu? Sigo nos estudos.

É preciso um norte. É hora de sair do papel. É hora de transformar a promessa em compromisso.
É hora de me tornar realidade.

Ontem, 11 de junho de 2025, houve mais uma audiência pública no Ministério Público Federal da Bahia.
O tema? Os impactos ambientais que eu posso causar — ou não — aos ecossistemas e às comunidades da região. Foi um momento importante. E, mesmo sem estar ali fisicamente, eu estava presente.
Vi nos olhos de muitos o desejo ardente de me ver nascer. Senti o peso da esperança, o clamor por dignidade, por desenvolvimento. Vi gente comum, lideranças, autoridades, todos com o olhar voltado para mim, cobrando daqueles que me idealizaram um gesto real de respeito ao povo.

Porque o povo é soberano. E cansou de esperar.

As pessoas que defendem minha construção acreditam que eu serei mais do que concreto e aço. Acreditam que serei uma ponte para o futuro — levando crescimento, emprego, oportunidade e mobilidade.
Acredito que, desta vez, será diferente. Se eu for construída, serei um símbolo de transformação. E o desejo é que eu surja com imponência, mudando a realidade principalmente das duas cidades que me abraçarão diretamente — Salvador e Itaparica.

Essas cidades estão de braços abertos. E não só para mim — mas para o futuro.

Agora, talvez você já saiba quem eu sou.
Ontem, mesmo ausente fisicamente, estive presente em cada fala, em cada olhar, em cada esperança.
Sou o reflexo da fome de progresso, da sede por mudança.
Sou o desejo de um povo por dignidade em quatro pilares fundamentais: saúde, educação, transporte e saneamento básico.

E, para não deixar de me apresentar…

Eu sou a Ponte Salvador–Itaparica.
Ainda promessa. Mas pronta, enfim, para ser realidade.

Visão Cidade

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