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Uma pergunta: Nós temos transporte público de verdade?

Metrô, ônibus, ferry boat, energia elétrica, estradas, hospitais, abastecimento de água… Todos esses são serviços essenciais à população. São direitos garantidos por lei e deveres do Estado, seja ele municipal, estadual ou federal. No entanto, o Brasil parece viver na contramão da realidade.

A chamada PPP – Parceria Público-Privada, que deveria ser uma solução, tem se mostrado um modelo que não fecha a conta para o povo. Na prática, quem sempre paga mais é a população, enquanto empresas privadas acumulam lucros, muitas vezes entregando serviços de baixa qualidade.

Todos os dias, o brasileiro assiste a mais um capítulo da “novela” dessas concessões. Na Bahia, por exemplo, vemos hospitais construídos com recursos públicos sendo entregues à administração privada. O metrô de Salvador, o sistema de ferry boat e, em breve, o VLT também são (ou serão) geridos por empresas privadas. O resultado? Serviços caros, ineficientes e sem transparência, onde o lucro vem antes do bem-estar do cidadão.

E por falar em lucro, quem são os verdadeiros beneficiados dessas parcerias? Quem está por trás dessas empresas que prestam um desserviço ao povo? Pouco se sabe. A população, mais uma vez, fica no escuro.

Estamos à beira de mais um desses acordos com a construção da Ponte Salvador-Itaparica. Segundo informações, a obra será controlada por um consórcio chinês, que terá o direito de explorar economicamente a ponte por 35 anos — com cobrança de pedágio. Fala-se, nos bastidores, que o valor pode ser semelhante ao da atual travessia marítima. Ou seja, um absurdo: o que deveria facilitar o acesso e reduzir custos, poderá se transformar em mais uma “faca no pescoço” do povo baiano.

Infelizmente, nada indica que o modelo atual vá mudar. Preços seguem altos, qualidade dos serviços é precária, e a transparência é quase inexistente. Só Deus sabe qual será o futuro da mobilidade e dos serviços públicos no Brasil.

É urgente reavaliar a forma como se administra o transporte público e os demais serviços essenciais. Eles devem ser públicos de fato, acessíveis, eficientes e com controle social. No entanto, o Estado, ao invés de cumprir seu papel, terceiriza sua responsabilidade para a iniciativa privada, muitas vezes sem deixar claro quem lucra e quem perde com isso.

O mesmo acontece na saúde pública da Bahia, com hospitais e unidades inteiras sendo entregues a organizações privadas. A quem isso interessa? Quais são os critérios? Quais os ganhos reais para o povo?

Como bem diz o senhor José, morador de Vera Cruz:
“O povo é o único que fica sem parceria nenhuma. Fica sempre a ver navios.”

Resta a pergunta:
Qual é, de fato, o objetivo das PPPs? Quem realmente se beneficia?
Se alguém souber responder com clareza, que responda — o povo agradece.

Visão Cidade

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