Gente que faz: Quem é Pró Luci? Quinto e penúltimo capítulo

Mas como dar conta de tantos animais?
Às vezes quando ela fica doente, encontra voluntários que oferecem ajuda para dar banho nos animais. Perguntam: Pró Luci, vamos fazer um mutirão? Ela agradece, porque não tem condições, são muitos e ela não tem empregados, é sozinha, a despesa é muito alta que não a permite ter funcionários. É ela que faz todo serviço, limpar o chão, tirar fezes, para manter sempre tudo muito limpo e asseado. As mãos já enrugadas, pois ela mesmo quem lava, cozinha, limpa, cuida deles. Quando estão doentes, como no caso de dois cães que não andam, eles fazem suas necessidades fisiológicas no local onde estão deitados e tem que limpar de imediato, tirar eles do lugar. Aí a coluna reclama, e se vê no uso de medicamentos, para aliviar a dor e poder dar continuidade a faxina e ao levantamento de peso. Graças a Deus tem amigos que se precisar ela aciona o “mayday mayday” e eles prontamente chegam para o socorro. Alguns colaboram com valor simbólico em dinheiro, não é muito, mas toda ajuda é bem vinda sempre.
Tem pessoas que às vezes oferecem uma saca de ração, e ela sempre dá glória a Deus, porque abate das que tem que pagar, ficando feliz, pois o dinheiro que sobra, já vai para uma outra despesa, sempre com eles.
Nos contando totalmente sensibilizada, ela diz que animais sofrendo nas ruas não para nunca, é o que mais se acha, o que mais se encontra, e é o que mais chega ao seu conhecimento. Animais vítimas de acidentes, doentes, abandonados, com ferimentos, bicheiras. Muitas vezes ela tem até medo em abrir o whatsapp, porque sempre tem por lá um “oi, mandaram procurar a senhora”, “Pró Luci, olha para meu animalzinho como está”, Pró Luci, meu animal está doente, não tenho dinheiro para levar ao veterinário o que eu dou?”. Eu não sou veterinária, eu sou pedagoga, eu sou professora, ressalta. Mas como tem experiência, cuidando de animais já há muitos anos, conhece uma medicação ou outra, mas tem casos que ela não tem condições de responder. Portanto indica um veterinário do município, que graças a Deus os veterinários da ilha são todos amigos dela, que se pedir um socorro, eles ajudam, e ela pede às vezes para alguns, com a frase que já se tornou repetitiva: “estou enviando um animal, a tutora não tem condições, e quem vai pagar sou eu”, então eles dão desconto.
O whatsapp dela é cheio, mandam casos terríveis para ela, mandam os que ela não tem condições em ajudar, as vezes ela chora por não poder dar jeito, é sozinha e só tem um carro, e às vezes a filha vai trabalhar com ele e ela fica sozinha cuidando dos animais e enfatizou: sozinha.
Mas será que está certo você ver um animal sofrendo na rua e não fazer nada para ajudar esse pobrezinho, e acha que sua ajuda é mandar ligar para Pró Luci? Realmente em sua consciência isso está correto? Pense aí. É só ligar porque sabe que ela vai fazer “das tripas, coração”, como já diziam os mais velhos, mas não vai deixar o animal entregue a seu destino cruel, mesmo estando sempre no vermelho.
São vários casos de maus tratos que chegam a seu conhecimento, maus tratos não é só aquele que espanca, como ela diz, mas é aquele que amarra em uma corda, dia e noite, 24 horas, que deixa o cão sozinho, preso, que deixa seu animal abandonado em uma casa, tomando conta do local como se fosse um vigilante, muitos ao sol, ao sereno e a chuva sem uma proteção, em uma corda curta como se fosse um criminoso. Vê em seus olhares a tristeza, que corta o coração.
Muitos a procuram e ela responde: Mas levar para onde? ou perguntam onde denunciar, e ela diz para ir a delegacia, faz um vídeo, muitas vezes não precisa se identificar, fazendo uma denuncia anônima.E assim os dias vão se passando, a Pró Luci vai fazendo o que é possível, e o que não tem condições de resolver, sofre, mas deixa nas mãos de Deus para resolver, vive sob seu comando e gosta de pessoas sinceras, pois seu nome não pode ser manchado pela ganância dos seres humanos, tem um nome a zelar. Deus é sua fonte Suprema, Onipresente, onde busca orientações e direções.
Muitas vezes Deus manda anjos que também recrutam os animais que estão sofrendo nas ruas, são anjos que Ele toca o coração, e também se sensibilizam ajudando de alguma forma. Às vezes cuidam na rua mesmo ou levam para suas casas, tratam e depois colocam para adoção.
Essa é a vida da Pró Luci e o capítulo final será o próximo
Por Sarita Rodrigues
Visão Cidade


