Gente que faz: Quem é Pró Luci? Quarta parte

Então vamos lá saber como a Pró Luci sobrevive.
Uma coisa que acontece muito na ilha é a indicação que muitos dão como referência, o número da Pró Luci, como a que vai cuidar do animal ferido, maltratado, a salvadora dos animais sofridos, mas não perguntam como ela consegue cuidar desses animais, muito menos se precisa de alguma ajuda para que ela dê prosseguimento a causa animal, ao amor incondicional que vem demonstrando.
E falando em amor, ela sobrevive primeiro pelas graças de Deus, se considerando uma pessoa crente, porque crê, tendo como doutrina o espiritismo, Kardecista, aquele mesmo do nosso irmão Chico Xavier, que veio a terra derramando amor profundo. Ela acredita na reencarnação e que não há salvação sem a caridade. Portanto, vive da caridade de Deus e da ajuda de amigos.
Tem uma ONG em Salvador e sempre que pode oferece ajuda. Essa Organização é a AUMIGOS, uma união de um povo maravilhoso, caridoso, sendo Cristina, Juliana, Gabriela e Gilce, as pessoas que quando recebem ração, elas lembram da Pró Luci, diferente do nosso povo da ilha, não agravando a todos, que só a procura para deixar o animal, mas ajudar que é bom, de qualquer forma, isso não acontece. Ela conta que uma certa vez, por indicação de alguém, que não vai citar nomes, um cachorrinho foi abandonado, mas não andava, estava com as patas traseiras arriadas, o pobrezinho gritava de dores e alguém mandou para ela, indicada por esse alguém que disse: procure a “moça dos cachorros”, e ela ficou chorando em casa, mas a ‘moça dos cachorros”, nem sempre pode ajudar, ela não se multiplica, é única, mas mesmo assim, ela ficou monitorando a senhora que a procurou.
As pessoas que indicam para que ligue para ela para cuidar de seus animais, bem que poderia não só indicar, mas ajudar de alguma forma, não é mesmo? Ou então junto com ela, procurar um outro meio para ajudar o animal, sem superlotar seu sítio e nem deixar sua conta ainda mais negativa.
Voltando a AUMIGOS, eles não ajudam só os animais sofridos, mas quando eles recebem ração, ajudam também a Pró Luci, e ela atravessa o ferry para ir pegar. Entretanto, já tem um bom tempo que eles não recebem ração, mas nunca esquecem dela.
Por outros meios, o Grupo Arco íris faz uma rifa mensal de mil reais, com dois prêmios. O primeiro recebe 300,00 e o segundo 100,00. O restante, os 600,00 fica para a Arco íris, que é o que a auxilia na compra de ração. Geralmente ela pega 14 sacas de ração por mês de 25 kg, que distribui com seus animais no sítio. Consequentemente o gasto com ração por mês gira em torno de dois mil a dois mil e quinhentos reais, só para os cães.Para os gatos são 14 sacas, e como para gatos o valor é bem maior, às vezes chega a dois mil e oitocentos reais, nessa faixa. Fazendo uma continha básica, só com ração, o gasto envolve o valor de mais de cinco mil reais, imaginem aí.
Nessa busca pelo pagamento das despesas com seus animais, seu salário como professora aposentada do Estado e o salário da filha dela, juntas, compram a alimentação para seus tutelados. Mas eles não comem só a ração seca, ela ainda compra mortadela, fígado, às vezes ossos, macarrão, farelo de milho e em uma grande panela ela coloca esses ingredientes, incrementando com caldo de carne, ou de galinha e dez ovos. Prepara tudo nessa grande panela, liga o fogo e espera cozinhar para fazer uma espécie de patê. Após tudo cozido, é separado em vasilhames, congela, e todos os dias é ofertado a ração misturada com esse patê e não sobra nada, eles comem tudo, tudinho mesmo, felizes da vida. Todos tem um bom escore corporal, com cobertura de gordura adequada e muita massa muscular, graças a seus cuidados.
Seus animais são muito bem cuidados e saudáveis. E é dessa forma que a Pró Luci sobrevive com seus animais, cheia de débitos no banco, score baixíssimo, pois é impossível viver gastando esse valor, e olha que ela nem falou de remédios, nem no combate a pulgas e carrapatos, que é dinheiro extra que geralmente compra e divide em 10 parcelas. Fora gasto com vacinas, mas já tem quase três anos que não são vacinados, porque o dinheiro não dá. Recebe ajuda também de Dr. Alan Pazian em sua clínica em Lauro de Freitas, com castrações a preços reduzidos, mas aí já vão mais gastos com transporte e alimentação. Enfim, é luta sobre luta, fazendo pique pique com o dinheiro. Sem dúvida ela sempre está no vermelho. Vive sempre esperando as graças de Deus.
É coisa, caro leitor… e não são lendas de um município, é uma história real, verídica, onde ela e muitos protetores esperam a misericórdia de Deus, que é quem as socorre nos momentos de angústias e aflições, vendo o sofrimento dos animais..
Vamos ao penúltimo capítulo…
Por Sarita Rodrigues
Visão Cidade


