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A intransparência: A chaga do “Eu tenho”, “Eu sou” e “Eu mando”

A centralidade do “eu” na vida cotidiana é uma marca que, muitas vezes, obscurece a verdadeira essência das relações humanas. Frases como “eu mando”, “eu faço”, “eu quero assim”, “eu tenho” são comuns no discurso diário e refletem uma tentativa constante de afirmar poder, controle e superioridade. Contudo, essa exaltação do “eu” revela mais uma fragilidade do que uma força. O “eu”, quando isolado, não representa a coletividade e, muito menos, constrói relações verdadeiras.

A amizade, por exemplo, é um campo onde o “eu” não se sustenta sozinho. Ela exige reciprocidade, empatia e, acima de tudo, clareza de sentimentos. No entanto, muitas vezes a palavra “amizade” é dita de forma leviana, “da boca para fora”, como diz o ditado popular. Torna-se um termo vazio, usado conforme a conveniência e não pela verdade do sentimento.

Refletindo um pouco mais, percebemos que o “eu” raramente contribui para a construção social. Ele aparece sempre como um projeto de promoção pessoal: “eu sou”, “eu mando”, “eu quero”, “eu sei”. Essas frases geralmente não passam de tentativas de se colocar em um patamar ilusório, um lugar de poder que não se sustenta na prática. O “eu” é, por natureza, individualista. Já expressões como “eu sou seu amigo” ou “sou seu amigo” exigem vivência, prova e, principalmente, coerência entre discurso e atitude.

Na política, por exemplo, é comum vermos pessoas que mudam de posicionamento como quem troca de camisa, ou de pele, para se manterem no poder sob o pretexto de uma falsa amizade. Como dizia minha avó: “Cuidado, meu fio, com os seus amigos, se é que são mesmo.” Identificar os verdadeiros amigos nem sempre é fácil — principalmente quando estamos cercados por oportunistas que usam a amizade como ferramenta de interesse.

Com o tempo e ao longo da caminhada da vida, aprendemos a reconhecer quem está ao nosso lado de verdade. E é nesse momento que o significado da palavra “nós” se torna mais claro, mais forte, mais necessário. O amanhã sempre trará novas histórias — e saber com quem podemos contá-las faz toda a diferença.

Como diz a sabedoria popular:
“Um lobo em pele de cordeiro.”
“Quem adoça a boca do meu filho, adoça a minha também.”
“Cuidado com o amigo urso e o amigo camaleão.”

Pequenas frases, grandes verdades da vida real.

Visão Cidade

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