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Sandro Filho, vereador de Salvador, fala ao site Visão Cidade

O vereador Sandro Filho (PP), em discurso na Câmara Municipal de Salvador, revelou que devolveu mais de R$ 121 mil aos cofres públicos por não utilizar recursos que teria direito no exercício do mandato.

Acompanhe a entrevista concedida ao site Visão Cidade:

Visão Cidade:
Vereador, o senhor usou a tribuna agora há pouco e falou sobre uma economia feita em apenas três meses de mandato. Pode explicar melhor para nossos leitores e eleitores como essa economia foi feita e para onde foi esse dinheiro?

Sandro Filho:
Claro! Vou ilustrar aqui com R$ 300 só como exemplo. Dinheiro, pra quem é honesto e não se deixa levar pela vaidade, é apenas um instrumento — pode servir pra transformar vidas e fazer o bem. Mas, infelizmente, tem gente na política, inclusive ex-presidiários, que enlouquece só de ver uma quantia dessas e já quer botar no bolso.

Graças a Deus, eu não sou assim. Fiz uma economia de R$ 121.800,00 em apenas três meses de mandato. E como isso foi possível? Logo no início, em janeiro, a Câmara ainda permitia até três chefes de gabinete. Eu abri mão de dois e mantive apenas um. O salário de cada chefe de gabinete era de R$ 9.900,00 — só aí já são quase R$ 20 mil economizados por mês.

Além disso, recusei também a chamada verba compensatória, que cobre despesas como aluguel de carro, publicidade e serviços jurídicos. Preciso de carro? Preciso. Preciso de advogado? Também. Mas nada que eu não possa pagar com meu próprio salário. Por que o cidadão comum tem que pagar o combustível do bolso, e o político não pode fazer o mesmo?

Então, nos meses de janeiro, fevereiro e março, não utilizei essa verba. Somando a economia com os cargos e a verba compensatória, chegamos aos R$ 121.800. Sempre que eu puder economizar dinheiro público, eu vou economizar. Se for necessário usar, eu uso. Por exemplo, utilizo o carro oficial para fiscalizações, que é uma necessidade do mandato. Mas quando não é necessário, eu abro mão.

Visão Cidade:
Esse valor foi devolvido à Câmara ou o senhor chegou a receber?

Sandro Filho:
Não recebi. Pra acessar a verba compensatória, é preciso apresentar notas fiscais — como eu não apresentei, o valor permanece na Câmara. E normalmente, ao final do exercício, o presidente da Câmara devolve esse recurso à Prefeitura, que pode aplicá-lo em áreas como saúde e educação, o que já aconteceu em anos anteriores.

A economia com os cargos de gabinete é da chamada “fonte 00”, ou seja, retorna para o Tesouro Nacional e pode ser utilizada pelo poder público. Eu, inclusive, cobro que esse recurso seja bem aplicado. Se um dia Deus me der a oportunidade de chegar ao Executivo, vou manter essa linha: cortar privilégios, evitar desperdícios e usar o dinheiro público com responsabilidade.

Visão Cidade:
E como seus colegas vereadores reagem a essa sua postura? Há críticas?

Sandro Filho:
Sim, há críticas — não necessariamente dos colegas vereadores, mas de algumas pessoas que acham que eu deveria usar tudo a que tenho direito. Eu respondo com tranquilidade: eu uso sim, tudo que for necessário para exercer meu mandato. Mas aquilo que não é essencial, eu abro mão. Se posso economizar e redirecionar para quem mais precisa, vou fazer isso.

Cada vereador tem sua forma de trabalhar. Tem gente que precisa de uma estrutura maior no gabinete por causa do número de lideranças comunitárias que atende — e isso é legítimo. No meu caso, consigo trabalhar com uma estrutura mais enxuta. Então, nada mais justo do que economizar.

Visão Cidade

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