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A Ilha de Itaparica: Uma só, dois municípios

Muitas pessoas se referem à Ilha de Itaparica por meio de localidades específicas, como Mar Grande, Cacha Pregos, Gameleira e Ponta de Areia. No entanto, é importante destacar que a ilha é uma só, administrativamente dividida entre dois municípios: Itaparica e Vera Cruz.

Essa divisão ocorreu após a emancipação política de Vera Cruz, mas o equívoco de tratar certas áreas como se fossem ilhas separadas persiste. Isso pode ocorrer por falta de conhecimento ou até mesmo pela tentativa de criar uma identidade própria para determinadas regiões. Entretanto, a realidade é que toda a extensão da Ilha de Itaparica pertence a apenas dois municípios, que compartilham sua história, cultura e belezas naturais.

A Ilha de Itaparica
A Ilha de Itaparica é a maior ilha marítima do Brasil, localizada na Baía de Todos os Santos, no estado da Bahia. Com 239 km² de extensão e mais de 36 km de comprimento, seu território é dividido entre os municípios de Itaparica e Vera Cruz.

A ilha está a apenas 13 km de Salvador, sendo acessível por balsa (Travessia Salvador-Itaparica), lanchas (Travessia Salvador-Mar Grande) e pela Ponte do Funil (BA-001), que a conecta ao continente no extremo sudeste.

História
A Ilha de Itaparica foi descoberta pelos europeus em 1º de novembro de 1501 por Américo Vespúcio, durante sua exploração da Baía de Todos os Santos. No entanto, antes da chegada dos portugueses, a ilha já era habitada pelos povos tupinambás.

Em 1552, o primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Souza, concedeu a ilha como sesmaria ao nobre português António de Ataíde, 1.º Conde da Castanheira. Mais tarde, em 1556, a ilha foi transformada em capitania hereditária, integrando o morgado instituído em Portugal por Dona Violante de Távora, mãe do conde.

A ocupação europeia começou com a chegada dos jesuítas em 1560, que fundaram um povoado na contra-costa da ilha, dando origem à Vila do Senhor da Vera Cruz, atual Baiacu. Além de catequizar os indígenas, os jesuítas implantaram os primeiros engenhos de cana-de-açúcar, introduziram o cultivo de trigo e trouxeram os primeiros bovinos para a ilha. Também foram responsáveis pela construção da primeira barragem de abastecimento de água potável da colônia.

Com sua riqueza e localização estratégica, Itaparica foi alvo de corsários ingleses (1597) e invasões holandesas (1600-1647). Durante a última invasão, os holandeses chegaram a construir o Forte de São Lourenço, que existe até hoje na cidade de Itaparica.

A ilha teve papel crucial nas lutas pela Independência da Bahia (1821-1823), sendo palco da Batalha de Itaparica (7 a 9 de janeiro de 1823). A bravura de seus habitantes garantiu a vitória contra as tropas portuguesas, concedendo à ilha o título de “Denodada Vila de Itaparica”.

Outro marco histórico foi a instalação da primeira máquina a vapor do Brasil no Engenho de Ingá-Açu, em 1815.

Em 25 de outubro de 1831, Itaparica foi elevada à categoria de vila, sendo oficialmente emancipada de Salvador. Sua Câmara Municipal foi instalada em 4 de agosto de 1833, no Solar Tenente João das Botas. Em 31 de outubro de 1890, Itaparica foi elevada à condição de cidade. Posteriormente, em 1962, a ilha foi dividida em três municípios: Itaparica, Vera Cruz e Salinas da Margarida.

Vera Cruz: História e Desenvolvimento
O município de Vera Cruz, situado na Ilha de Itaparica, possui uma história profundamente conectada à colonização portuguesa e ao desenvolvimento da região. Fundado oficialmente em 1962, o território já era habitado pelos tupinambás antes da chegada dos europeus.

Desde o século XVI, Vera Cruz se destacou na produção de açúcar e frutas tropicais, tornando-se um ponto estratégico na defesa da Baía de Todos os Santos. Durante as invasões holandesas (1624, 1625 e 1638), a ilha foi cenário de intensos confrontos, e a resistência local foi essencial para a retomada do território pelos portugueses.

O Surgimento de Vera Cruz no Baiacu
O povoado de Baiacu, fundado no século XVI, foi um dos primeiros núcleos de ocupação da ilha. Com o tempo, a região tornou-se um importante centro agrícola e pesqueiro, além de abrigar engenhos de açúcar e servindo como ponto de defesa contra ataques estrangeiros.

Economia e Turismo
Com o passar dos séculos, Vera Cruz se consolidou como um polo pesqueiro e agrícola, com atividades como mariscagem, pesca e cultivo de coco sendo essenciais para a economia local. No século XX, a melhoria das conexões com Salvador — por meio do ferry boat e das lanchinhas — impulsionou o turismo, tornando-se um dos principais setores econômicos do município.

Atualmente, Vera Cruz é um dos destinos turísticos mais procurados da região metropolitana de Salvador, com praias famosas como Barra Grande, Cacha-Pregos e Mar Grande. O município busca equilibrar desenvolvimento, preservação ambiental e valorização cultural.

Principais Praias de Vera Cruz
Gameleira
Mar Grande
Ilhota
Gamboa
Penha
Barra do Gil
Barra do Pote
Conceição
Barra Grande
Tairu
Aratuba
Berlinque
Cacha Prego
Itaparica: Turismo e Administração
O município de Itaparica, localizado na Ilha de Itaparica, é conhecido por suas praias paradisíacas e pela Fonte da Bica, famosa por suas águas minerais.

A ilha possui uma rica biodiversidade, com manguezais preservados, recifes de coral e um ecossistema que favorece a pesca e o turismo. Sua face voltada para o Atlântico possui 15 km de recifes naturais, formando piscinas ideais para banhos e esportes aquáticos.

Administração e Política
Itaparica é administrada por dois poderes:

Executivo: Representado pelo prefeito, auxiliado por secretários municipais, com mandato de quatro anos.
Legislativo: Representado pela Câmara Municipal de Itaparica, composta por vereadores eleitos pelo voto popular.
O conjunto arquitetônico e paisagístico de Itaparica é reconhecido como patrimônio, preservando sua história, cultura e tradições.

Conclusão
A Ilha de Itaparica é uma só, dividida entre Itaparica e Vera Cruz, dois municípios que compartilham uma rica história e belezas naturais. Embora alguns se refiram às localidades como se fossem ilhas distintas, é essencial compreender que se trata de um único território com identidade cultural e histórica integrada.

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