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Morre Cira ‘do Acarajé’, famosa quituteira de Salvador

Uma das baianas de acarajé mais famosas da Bahia, Jaciara de Jesus, conhecida como Cira, morreu nesta sexta-feira (4), em Salvador. De acordo com uma das filhas de Cira, Cristiane de Jesus, a baiana tinha 70 anos e estava internada há cerca de 18 dias, no Hospital São Rafael, unidade de saúde particular da capital baiana.

“Mainha sentiu sintomas de problemas renais. Ela já tinha passado por transplante. Meu irmão deu um rim a ela e uns 20 anos depois ela começou a ter problemas. Ela teve Covid-19 em abril e ficou bem, não sentiu nada. Agora, veio para o hospital com esses sintomas renais e faleceu. Ainda não tenho o detalhe da causa da morte, mas a internação foi com esses sintomas”, disse.

Cristiane informou que a família ainda está resolvendo as questões sobre sepultamento, mas disse que vai realizar o desejo da mãe, de enterrá-la no bairro de Itapuã.

“Nós moramos em Itapuã e o desejo de mainha era ser enterrada lá”, ressaltou.

A filha da baiana informou ainda que a mãe deixou um legado, não apenas para a família, mas para os baianos, com a continuidade da tradição do acarajé.

“Ela sempre foi muito forte, trabalhou a vida toda com isso e hoje todos nós trabalhamos com o acarajé. Deixou um legado, com certeza”, completou.

O acarajé de Cira é um dos mais conhecidos de Salvador e ela possui quiosques em diversos bairros de Salvador (Piatã, Itapuã e Rio Vermelho) e um em Lauro de Freitas, na região metropolitana.

Em 2019, Cira conversou com o G1 no dia da baiana do acarajé. À equipe de reportagem, ela disse que já atuava há 50 anos fazendo acarajé e que criou todos os filhos trabalhando como baiana.

Falou também do tempo de trabalho pesado, em que carregava saco de feijão na cabeça, mas destacou o momento de sucesso com a venda do quitute que é tão apreciado por baianos e turistas. Na ocasião, ela disse: “Tudo o que eu tenho é de acarajé”.

Repercussão
ACM Neto – Prefeito de Salvador

“A Bahia perde um patrimônio, um ser humano querido e amado por todos os baianos e por todas as pessoas que visitaram Salvador nos últimos anos. Ela herdou uma tradição, todo aquele conhecimento que vem de geração em geração, e soube acrescentar o seu toque especial, tornando o seu acarajé um dos preferidos da Bahia. Neste dia de Santa Bárbara e Iansã, nós sabemos que Cira será bem-recebida por Deus. Expresso aqui os meus sentimentos. Que Deus possa confortar a todos os seus familiares e amigos”

Fernando Guerreiro, presidente da Fundação Gregório de Matos

“Rainha da arte culinária da cidade, mulher de uma energia luminosa, que encantava a todos com seu talento e capacidade de trabalho. Salvador perde mais um dos seus ícones, que vai deixar saudades em todos que relaxavam ao final do dia com seus quitutes e seu sorriso.”

(G1)

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