Operação blindagem vai reduzir tamanho e elevar liquidez do BTG

A linha de crédito do Fundo Garantidor de Crédito é mais um esforço na estratégia de blindar o BTG e permitir que ele atravesse a turbulência. Dirigentes do banco sabem que ele sairá menor da atual crise, mas tomam desde o começo medidas para aumentar a liquidez e afastá-lo de André Esteves.
O problema é que Esteves sempre foi o centro do BTG Pactual. Isso torna mais difícil o trabalho de separação. Esta semana foi dado o passo mais importante, ao se acionar a cláusula que estabelecia o que fazer em caso de incapacidade do controlador: passar o poder da holding controladora para os sete maiores acionistas.
O que se diz no mercado financeiro é que a luta para a sobrevivência do BTG terá que ser diária, porque só o tempo permitirá que se vença a crise de confiança que se abateu sobre o banco. Qualquer instituição seria abalada pela prisão do seu presidente e controlador, mas no caso em questão os nomes do BTG e de Esteves sempre se confundiram como uma coisa só.
Quando a notícia da prisão de Esteves chegou ao escritório houve um momento de choque, até que um dos integrantes do comando lembrou que era preciso romper a paralisia e agir imediatamente. No caso de instituições financeiras, um minuto de hesitação pode ser fatal. Persio Arida foi escolhido presidente interino. Depois que a prisão temporária foi transformada em preventiva tomou-se a decisão de reestruturar a governança, com Pérsio assumindo a presidência do conselho de administração, e o banco passando a ter dois CEOs, um deles é inglês.
Uma incógnita é o que acontecerá com o banco suíço BSI, que o BTG acabou de comprar. A aquisição foi feita há um ano, mas exigiu a aprovação de 17 autoridades regulatórias, porque tem braços em vários outros países como Cingapura e França. Aprovado em fins de agosto, o pagamento acabou sendo efetuado há pouco mais de um mês por 1,2 bilhões de francos suíços, em torno de US$ 1,3 bi. O BSI estava em conversação adiantada para comprar um banco italiano, mas o negócio foi suspenso após a prisão. Pelo BSI, o BTG Pactual se tornava cada vez mais internacional.
O banco suíço é totalmente independente da operação no Brasil. Tem conselho próprio e governança também. Apesar de ser hoje controlado pelo BTG, não recebe ordens da instituição brasileira e tem uma operação totalmente separada.
Pelo acordo entre os sócios do BTG, não há herança. Se um dos sócios morrer, as ações que ele detenha são compradas imediatamente pelos outros. E esses sete maiores não estão nominados no acordo, porque podem mudar de um ano para o outro. O banco tem um sistema de distribuição de ações dependendo do desempenho do sócio e a regra de que quem deixar a atuação dentro da instituição tem que vender as ações para os outros, porque não há sócio externo nesse grupo dos donos do BTG.
Outra ação de blindagem nessa turbulenta travessia está sendo aumentar a liquidez. Nesse caso está incluída a linha de crédito do FGC e a venda de ativos. Muitos estão à venda. A Rede D’Or foi a primeira operação. A Estapar está para ser vendida. O que se diz no banco é que há interessados em todos estes ativos.
De qualquer maneira, só o tempo dirá se o banco suportará a dúvida que recai sobre ele neste momento. Daqui para diante, os chamados “Top 7” vão lutar para manter a liquidez e a confiança no BTG Pactual. O que é certo é que ele sairá menor dessa turbulência. Neste momento ele precisa encolher para sobreviver. Blog da Miriam Leitão)


