Feira do Rolo na Baixa do Fiscal já possui um plano de ordenamento

Famosa por ser um comércio que leva muito a sério o conceito da informalidade, a Feira do Rolo – que acontece em todas as manhãs de domingo, na Baixa do Fiscal – já possui um projeto de ordenamento que pode facilitar a vida dos ambulantes, assim como deixar mais leve o trânsito da região. Tendo também o objetivo de acabar com o estigma sofrido pelo comércio, o projeto, no entanto, não possui um orçamento fechado, nem prazos para ser colocado em prática, pois depende da colaboração do governo do estado para sair do papel.
Segundo informou a secretária de Ordem Pública de Salvador (Semop), Rosemma Maluf, a grande problemática do Rolo é sua localização. “Ela fica situada em uma área estreita onde não há transversais para realocar os vendedores”, explica. Dessa forma, o plano da prefeitura é transferir os comerciantes para um terreno situado na mesma Baixa do Fiscal, vizinha à linha de trem. O único empecilho é que esta área em questão pertence à União, e portando depende da autorização desta para que o projeto de reordenamento seja executado.
O terreno, segundo Rosemma, já passou pela análise da equipe técnica da Semop e pode comportar o comércio sem gerar prejuízos aos que dependem dela. “A feira é muito estigmatizada, mas não há dúvidas de que a grande maioria de seus vendedores é tradicional, atuando nela há muitos anos. Claro que não podemos falar por todos, mas muitos que estão lá atuam de forma lícita, inclusive tendo a nota fiscal de seus produtos”, detalhou ela.
O projeto passa por transferir os ambulantes para a área vizinha à linha de trem, em modo similar à revitalização das outras feiras livres da capital, com estandes padronizados e higienizados com aproximadamente 1,5m, banheiros, e um setor administrativo. Além da estrutura física, os ambulantes da nova Feira do Rolo também passariam por uma capacitação, fruto de parceria entre o Sebrae e o Município, com o objetivo de buscar a formalização, e dar um salto à sua independência.
Outro benefício para a população, é em relação a mobilidade da Avenida Suburbana. O deslocamento da feira retiraria o grande fluxo de pedestres que circulam naquele trecho aos domingos pela manhã, tornando a via mais fluída. As equipes de fiscalização também garantiriam que o meio fio da avenida não voltasse a ser utilizada para o comércio.
Segundo o presidente da Associação de Ambulantes de Salvador e da Região Metropolitana (Asfaerp), o reordenamento também ajudaria a acabar com o estigma e a má-impressão causada pela feira – que também é conhecida pela venda ilegal de entorpecentes e armas, assim como pela venda e compra de produtos roubados.
“Assim que discutimos o reordenamento com a prefeitura, há cinco meses, procuramos o local ideal para o remanejamento dos vendedores, achanaod a área pertencente ao Estado. Enviamos um ofício à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), que por sua vez, nos indicou a Companhia Baiana de Trens Urbanos (CBTU) que tem direito sobre área. Até o momento, a CBTU não nos deu retorno”, relatou Cazuza.
De acordo com o presidente da entidade, o projeto de reordenamento surgiu a partir da Associação de Moradores do Subúrbio Ferroviário, como forma de tentar achar uma alternativa para aliviar o trânsito na região. Cazuza explica que há 120 ambulantes cadastrados atuando na feira. No entanto, a feira é caracterizada por sua rotatividade, contando com a atuação de vendedores que, nos dias úteis tem sua ocupação em outras áreas.
Vendedores apontam dificuldade da medida
Funcionando aos domingos pela manhã, na região do Uruguai, há mais de cinqüenta anos, a Feira do Rolo já é conhecida por ser o mercado negro mais popular da cidade. Encontra-se basicamente de tudo à venda, e nos preços mais variados.
Com o centro nervoso da feira operando no canteiro central da Avenida Suburbana – onde parte dos consumidores divide espaço com os produtos expostos ao chão –, o trânsito pela região também é extremamente complicado: carros e pessoas se aglomeram no asfalto, tornando a locomoção difícil para motoristas e pedestres. Há itens de basicamente todo segmento do varejo, alimentos, peças de automóveis, materiais de construção, ferramentas, eletrônicos, brinquedos, produtos de limpeza, higiene pessoal, todos com preço bem abaixo do mercado.
Contudo, assim como chama a atenção por sua variedade, a feira também é conhecida pelos aspectos negativos. Entre os produtos que fazem parte do repertório, também é possível encontrar objetos roubados, ou de procedência duvidosa, e até mesmo armas e entorpecentes cujo comércio é proibido por lei.
Alguns vendedores que preferiram não se identificar contam que utilizam a feira apenas por necessidade, e não gostam muito do ambiente. “É muito inseguro. Vez ou outra surge um pequeno aglomerado no canteiro central, e nessa hora a gente tem que ficar alerta”, explica o vendedor, relatando que estes aglomerados geralmente são para um produto de valor mais elevado, tal como um celular ou um relógio, e que, é motivo de briga entre quem deseja comprar o produto e seu vendedor.(IG)
“Não sei se esse ordenamento daria certo, já que muitos que vêm pra cá, têm interesse em comercializar esses objetos roubados. Acho que a maioria, iria procurar outro local para se aglomerar e vender esses mesmos objetos”, afirmava outro vendedor que também preferiu não se identificar.

