Respaldo europeu é fundamental para reabertura dos bancos gregos

A sensação de alívio vai dando espaço às dúvidas. A viabilidade do acordo entre gregos e credores é questionada, já que as obrigações do ajuste são grandes. Os termos ainda precisam ser aprovados pelos parlamentos locais. A reabertura dos bancos gregos, ainda indefinida, depende do respaldo dos outros países.
A Bloomberg, por exemplo, definiu o acordo como uma capitulação grega diante dos credores. A reação política na Grécia contra o primeiro-ministro Alexis Tsipras fortalece essa impressão. O ministro do Trabalho pediu demissão nesta segunda-feira. Se os termos forem duros demais, o acordo não se sustentará.
A emergência é definir como será a reabertura dos bancos. Eles estão fechados há duas semanas. A limitação criou muitas dificuldades na vida do cidadão, que pode sacar apenas € 60 por dia. Quanto mais tempo o sistema ficar fechado, maior o temor quanto à reabertura. Antes de os bancos serem fechados, já havia um início de corrida bancária.
É uma emergência não resolvida. A forma como os bancos serão reabertos tem que ser bem estudada para evitar um colapso. A comunicação terá que ser precisa. Para que a operação dê certo, o governo grego tem que se sentir muito respaldado pelos parceiros da zona do euro. Com a sensação de que alguém foi derrotado na mesa de negociação fica a dúvida se o acordo é sustentável.
A Alemanha também recuou durante a negociação. O país havia proposto que a Grécia ficasse cinco anos fora do euro e depois voltasse à moeda comum. Era uma ideia muito ruim. Por tentar radicalizar, a chanceler Angela Merkel foi enquadrada pelos parceiros europeus, que recusaram a sugestão. Novamente ao contrário do que queria a Alemanha, ficou decidido que o fundo que garantirá o sistema bancário e os investimentos será gerido pela própria Grécia.
Na esfera política, Tsipras tem 48 horas para aprovar no Congresso grego os termos do novo acordo. Na Alemanha, parte dos eleitores acha que Merkel cedeu demais na negociação.
O primeiro-ministro grego fez uma manobra política muito arriscada nessa negociação. Ao convocar um referendo, do qual saiu vencedor, Tsipras teve que decretar um feriado bancário, medida que trouxe insegurança e impôs sofrimento aos gregos. Agora, o primeiro-ministro está com dificuldades para reverter a medida.
Saberemos com o tempo quem, de fato, ganhou com este acordo. Outras negociações poderão mudar os termos acertados agora. Mas, do ponto de vista prático, Tsipras se colocou numa situação frágil. Ganhou o referendo negando os termos da austeridade para depois ceder na negociação; fechou os bancos e agora precisa reabri-los. É um problema concreto, imediato, que Tsipras precisa resolver sem criar um colapso bancári (Blog da Miriam Leitão)


