Dilma tem prova de fogo para sair da sombra de Lula

Famosa pelas frases tortas e broncas memoráveis que costuma distribuir aos auxiliares, a presidente Dilma Rousseff passou os últimos dias esforçando-se para aliviar o clima de tensão ao seu redor. Desde que as pesquisas de intenção de voto começaram a mostrar uma queda acentuada da ex-senadora Marina Silva (PSB), a petista vem se mostrando aliviada e até chegou fazer algumas piadas durante as longas reuniões da coordenação da campanha presidencial petista, realizadas no Palácio da Alvorada. Quem acompanha de perto o dia-a-dia da presidente chega a descrevê-la como “curiosamente bem-humorada e espirituosa” nesta reta final do primeiro turno.
É uma Dilma diferente de semanas atrás, quando a presidente se mostrava tensa nas reuniões de campanha. Depois de uma largada em que se falava até mesmo na possibilidade de vitória no primeiro turno, a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos jogou a corrida para um cenário inimaginável. Por pelo menos alguns dias, dirigentes petistas chegaram a tratar a derrota para a ex-senadora Marina Silva como uma realidade. Faziam conjecturas sobre como seria a volta do PT para a oposição e o lançamento de uma candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018.
Marina Silva provocou o que nem mesmo casos graves conseguiram, como as denúncias de corrupção na Petrobras e o escândalo envolvendo o ex-diretor Paulo Roberto Costa, que o adversário Aécio Neves (PSDB) batizou de “novo mensalão” – termo que não pegou na campanha. Passado o susto, porém, a campanha de Dilma reformulou a estratégia para enfrentar a candidata do PSDB e retomou aos poucos o clima de tranquilidade.
A Dilma que se fez ver nesta semana é também diferente daquela que saiu vitoriosa das urnas em 2010. Mas foram necessários quatro anos de ajustes e acertos na relação com o PT e com sua própria equipe de governo para que ela pudesse ser vista numa mesa rodeada de líderes petistas, encaixando gracinhas e risadas entre análises de pesquisas e exposições do marqueteiro João Santana.
De lá para cá, contam aliados mais próximas, Dilma passou a se sentir mais confortável no papel de chefe de Estado e aprendeu a lidar melhor com as frustrações de não ver as coisas saírem como esperado. Embora ainda esteja longe do “ideal”, segundo os colegas, ela também melhorou na maneira de “fazer política”, principalmente na hora de lidar com outros partidos que integram a base aliada. A petista nunca escondeu a irritação em ter que abrir a agenda para esse tipo de aproximação. Mas, aos poucos, conformou-se com a necessidade de melhorar o diálogo – já prometeu publicamente, inclusive ao iG, que num eventual segundo mandato, esta será uma de suas mudanças pessoais mais significativas.
(IG)


