A herança maldita de Dilma Rousseff em cinco tópicos

Além de contrariar o discurso cego da presidente, de que a inflação está sob controle, os números do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) expõem a gravidade do problema. De acordo com os últimos dados disponíveis, referentes a prévia de outubro, o resultado acumulado em 12 meses acumula valorização de 6,62%, acima do teto da meta do Banco Central (BC), de 6,50%. De janeiro a setembro, o avanço é ainda maior: 6,75%. “Nos quatro anos de Dilma não chegamos nem perto perto do centro da meta, de 4,50%”, aponta a economista Mônica de Bolle, da Casa das Graças. As razões apontadas pelo governo para o desprezo inflacionário vão desde a crise internacional até o choques esporádicos que afetam os preços de alimentos. “Ora, se outros países da nossa região sofreram os efeitos da mesma crise, além de choques semelhantes, como conseguem manter a inflação baixa?”, questiona a economista. As exceções óbvias são Venezuela e Argentina, que registram inflação na casa dos 60% e 40%, respectivamente. O resultado inflacionário do Brasil poderia ser pior, se o governo tivesse liberado os preços administrados, como energia, gasolina e transporte. Eles foram represados nos últimos dois anos para não prejudicar a campanha eleitoral da presidente. Os efeitos da explosão da bomba da alta de preços devem ser sentidos a partir do ano que vem. “Foi plantado o ovo da serpente: assim que esses preços forem liberados, o impacto será sentido diretamente no bolso do consumidor”, afirma Evaldo Alves, professor de economia da FGV. O aumento dos combustíveis, por exemplo, encarecerá a cotação de alimentos e de bens de consumo duráveis, pois a cadeia produtiva de todos esses itens dependa de logística, que por sua vez, é movida a gasolina e diesel. Por outro lado, neste caso, o alinhamento das cotações deve favorecer o setor o sucroalcooleiro, atualmente composto por 70% de usinas endividadas e descapitalizadas por conta de fatores como a defasagem da gasolina. A estimativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar é de que as empresas do setor terminem a safra atual (de abril de 2014 a março de 2015) com uma dívida de 77 bilhões de reais.(Veja)


