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Mailson da Nóbrega diz que “o ciclo do PT no governo está no fim”

4.500 lojistas de todo o País aplaudiram o ex-ministro Mailson da Nóbrega nesta quinta-feira (18/9), quando previu que “o ciclo do PT no governo está chegando ao fim”.
Ele falou sobre os problemas da economia e as perspectivas a partir das eleições de outubro, durante a 54ª Convenção Nacional do Comércio Lojista, na Costa de Sauípe, Litoral Norte da Bahia, a 70 quilômetros de Salvador.
Em entrevista ao iG Bahia/Tribuna da Bahia, meia hora depois, o governador Jaques Wagner discordou do ex-ministro. “Ainda temos muito a contribuir”, disse o governador baiano, que esteve na convenção e deu uma carona ao ex-ministro, no helicóptero que o transportou.
Se a presidente Dilma Rousseff conseguir reeleger-se, o Brasil terá mais 4 anos de estagnação econômica, de acordo com as projeções feitas pelo ex-ministro. Isso porque, explicou, aumentaria a chance de o País perder grau de investimento, o que significa ser obrigado a pagar juros mais elevados nos financiamentos externos e ter reduzidos os investimentos estrangeiros.
O período de gestão da presidente Dilma foi o terceiro pior da história econômica brasileira, destacou, perdendo apenas para os de Floriano Peixoto e o de Fernando Collor.
Em caso de vitória da candidata do PSB, Marina Silva, amplia-se a chance do “retorno de uma gestão macroeconômica responsável”, comentou Mailson, traçando dois cenários: o primeiro de um governo minoritário (caso em que haveria menos reformas e baixo crescimento, mas com uma inflação menor, devido à redução das incertezas).
No segundo cenário (o de um governo majoritário), o crescimento da economia se daria de forma mais acelerada.
No Brasil, lembrou o ex-ministro, os governos minoritários resultaram sempre em desastres: Getúlio Vargas suicidou-se, Jânio Quadros renunciou e Fernando Collor sofreu um “impeachment”.
PMDB na fila
Mas ele vê pouca dificuldade em se formar um governo de coalização. “O PMDB já está na fila.” Para um partido político, lembrou, “ficar fora do governo é a morte”.
Mailson da Nóbrega, que foi ministro da Fazenda no governo de José Sarney, no final dos anos 1980, acredita na possibilidade tanto de Marina Silva atrair o PSDB para o governo, quanto o de utilizar os quadros do partido, como por exemplo o economista Armínio Fraga, que o candidato Aécio Neves anunciou como seu ministro da Fazenda.
“É possível um acordo segundo o qual Marina Silva apoiaria Aécio Neves em 2018, embora o partido tenha, também, como potenciais candidatos daqui a quatro anos, Geraldo Alckmin e de novo José Serra”.
O futuro do País
Qualquer que seja o resultado das urnas em outubro, o Brasil, “que não está andando, não vai desandar”, garantiu aos lojistas. Ele atribui essa estabilidade a mecanismos institucionais limitadores “do poder do governo de causar estragos”. 
Um deles é a democracia (“está consolidada, embora ainda sem a força da europeia, da canadense ou da americana”).
Outro é a independência do Judiciário (“mesmo com o paternalismo da Justiça do Trabalho”), em especial nas cortes superiores.
Também tem sido fundamental, ensinou, a Imprensa, livre e independente (“comparada às melhores do mundo e fonte de divulgação de todos os recentes escândalos no Brasil”).
Há, ainda, a intolerância da sociedade à inflação (“e os pobres são os mais intolerantes”), além da disciplina do mercado (“presente em poucos países em desenvolvimento”).
3 causas para o pibinho
Mailson da Nóbrega comparou os cenários durante o período eleitoral na primeira vitória de  Lula com o atual, de busca de reeleição para Dilma Rousseff. “Lá, havia o medo da mudança; agora, há o receio da continuidade”.
E culpou o governo Dilma pelo baixo crescimento da economia. “Temos um problema de gestão.”
Há, segundo ele, 3 causas para o “pibinho” de 0,3% esperado para 2014. A primeira delas, “a timidez das reformas”, muito por causa do “forte componente ideológico presente nas decisões”.
A segunda causa foram os “erros de política econômica”, a ideia “equivocada” de que estimular o consumo leva, por si só, ao crescimento (“é preciso elevar a oferta, junto”). Sem isso, explicou, cria-se um desequilíbrio, incentivador do aumento de importações e alimentador da inflação.
Só a terceira causa independe do governo: a crise internacional. “Mas ela não é a principal”, garantiu, mostrando que outros países da América Latina registram em 2014 crescimentos muito superiores aos do Brasil. 
Por exemplo: Colômbia, 5%; Chile e Peru, 4,5%; e México, 3,5%.
(Tribuna)

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