Petrobras abre mão de profissionais experientes em momento importante

Alguns pontos merecem atenção na fala da presidente da Petrobras, Graça Foster. Uma notícia boa é que a produção vai aumentar, apesar do atraso nas plataformas. É um dado positivo em meio a tantas notícias ruins sobre decisões de investimento erradas do passado.
Mas Graça justificou o lucro menor da empresa – no primeiro trimestre, o lucro líquido ficou em R$ 5,393 bilhões, dizendo que a Petrobras teve que fazer uma provisão de R$ 2,4 bi para pagar o plano de demissão voluntária. Esse programa, que previa desligamento de trabalhadores com idade igual ou superior a 55 anos, não faz sentido. Como a expectativa de vida está aumentando, o Brasil tinha que fazer um esforço para convencer as pessoas a esperarem mais um pouco para se aposentarem. Um profissional com essa idade está no auge da sua capacidade produtiva e será muito disputado pelo mercado. Deveriam, portanto, ser mantidos.
Os empresários falam que há falta de profissional capacitado, e aí vem a Petrobras e paga para que essas pessoas, que foram qualificadas, saiam da empresa e voltem ao mercado. As companhias da área de petróleo vão gostar disso. Não dá para entender essa parte: um plano de demissão tirando muita gente boa da empresa aos 55 anos. A Petrobras perde com essa visão ultrapassada de que aos 55 anos, 60 anos, o funcionário está “velho”.
A companhia está abrindo mão de ativo bom lá fora, como temos visto, e de gente experiente num momento importante em que avança em águas ultraprofundas. Isso não faz sentido. Por que a Petrobras faz isso? É preconceito dizer que a idade média dos funcionários estava alta. Temos que mudar essa mentalidade. Esse é um sinal contraditório daquele que deveria ser dado hoje. O Brasil tem que começar a pensar em aposentadorias mais tarde. Na Alemanha, para se ter uma ideia, aposenta-se aos 67 anos.
Por Míriam Leitão


