Inflação: expectativa piora e ultrapassa 6,5%, apesar da alta do juro

A previsão para a inflação aumentou, cruzando uma linha perigosa. A mediana das expectativas subiu para 6,51%, acima do teto da meta (6,5%), segundo a pesquisa feita pelo Banco Central com analistas do mercado financeiro. No fim de fevereiro, para se ter uma ideia, essa mesma pesquisa mostrava que a projeção estava em 6%; as expectativas rapidamente se deterioraram. Há sete semanas seguidas estão em alta.
Há mais de um mês, o grupo que acerta mais – o top 5 – estava apostando em 6,57%. E vamos lembrar também que há um ano o BC vem subindo a taxa de juros; mesmo assim, e ainda havendo uma inflação represada, as previsões estão aumentando.
A inflação está muito resistente e não cede, apesar da ação da política monetária. Porque é preciso mais do que isso. Ela é resultado de erros passados. Durante o governo Dilma, houve muita leniência com a inflação. O BC reduziu bastante os juros, antes de ter se consolidado um novo patamar de inflação, que passou a vir mais forte, e o governo passou a fazer truques na área fiscal, segurar preços. E assim chegamos ao último ano do governo Dilma com o temor de que a inflação termine o ano acima do teto da meta.
Há o seguinte problema também: como se sabe que uma parte da inflação está represada, espera-se que, no futuro, a inflação seja maior. Isso não é um bom ambiente para negócios e para as decisões de consumo. Até o BC chamou atenção para esse fenômeno.
A inflação não está fora do controle, mas insistentemente em alta, e as expectativas se deteriorando, apesar da alta dos juros.
Por Míriam Leitão


