Consumo de café no Brasil cai pela primeira vez em dez anos


Foi a primeira queda no consumo no país desde 2003, e o segundo recuo da série histórica, segundo dados da Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café) contabilizados desde 1990.
De acordo com a entidade, as inúmeras novas opções prontas para o consumo no café da manhã, que incluem bebidas a base de soja, cuja penetração no mercado ainda é pequena comparada ao tradicional cafezinho, têm apresentado um crescimento bastante elevado.
“Enquanto a penetração do café no consumo doméstico permaneceu elevada (95%), mas estável, os outros produtos ou categorias novas cresceram acima de 20%, como foi o caso do suco pronto (25%) e as bebidas a base de soja (29%)”, disse a Abic, citando pesquisas da Kantar Worldpanel.
De acordo com a associação, “essas categorias de maior valor agregado desafiam a indústria de café para a inovação e para a retomada de índices de crescimento maiores, o que pode ocorrer com a oferta de cafés de melhor qualidade, diferenciados e certificados”.
Em 2014, a Abic estima a retomada do crescimento do consumo interno de café, ao nível de 3% a 4%, com maior procura por cafés de melhor qualidade, desde os tradicionais até os gourmet.
“A entidade está debruçada sobre a elaboração de um plano de marketing que destaque os atributos do café com seus benefícios para a saúde, energia e bem-estar, que serão os princípios a explorar neste período da Copa do Mundo e posteriores”, afirmou.
O consumo em 2013 somou 20,08 milhões de sacas de 60 kg, o que representou cerca de 40% da safra nacional do país no ano passado.
O Brasil, maior produtor e exportador global de café, exporta a maior parte de sua produção.
Consumo caiu mesmo com queda de preço
A queda no consumo em 2013 ocorreu apesar de os preços nas prateleiras terem caído.
Os preços do café nas prateleiras do varejo diminuíram 15% ao longo de 2013, com o valor médio do produto tipo tradicional passando de R$ 14,82 por quilo em janeiro de 2013 para R$ 12,55 por quilo em dezembro do ano passado, segundo pesquisas feitas no varejo paulistano.
“Esta queda, entretanto, não serviu para ampliar o consumo”, afirmou a Abic em nota.
A associação citou ainda que “contribuiu” para a redução do consumo a constatação da diminuição do número de empresas de pequeno porte, cuja quantidade produzida esta sendo reavaliada.
Em final de 2012, a entidade contabilizava 1.490 indústrias no país, de todos os portes, que atuaram no mercado nos últimos quatro anos, e ao final de 2013 esse número foi de 1.428.

