Vaiar cubanos foi “tiro no pé” para médicos, diz professor

Não é que Luiz Fernando Ferraz da Silva, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), seja a favor do programa Mais Médicos, que tem causado verdadeira ira na classe desde que foi divulgado. Definitivamente, não é.
Mas Ferraz não tem gostado de assistir a um acirramento na categoria para desestabilizar o programa que, aos seus olhos – e da opinião pública – está funcionando como um verdadeiro “tiro no pé” para os médicos do país.
O exemplo mais emblemático foram as vaias e os gritos de “escravos” que um grupo de estrangeiros, principalmente cubanos, recebeu na última semana em Fortaleza.
“Eles (os estrangeiros) não são o alvo”, afirma Dr. Burns, como é chamado entre seus alunos.
Ferraz tem conhecimento de causa para reconhecer que é preciso fazer os médicos se instalarem no interior do Brasil. Além de ser professor do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, ele é coordenador do projeto de extensão Bandeira Científica, que leva alunos para áreas distantes do Brasil, onde todos prestam atendimentos à população e realizam pesquisas.
Por outro lado, ele deixa claro que não há quem o convença que o Mais Médicos represente “uma medida pública de saúde”, muito menos de longo prazo.
(Exame)


