Carreiras em extinção

Para quem não sabe, há pelo menos 50 anos, o datilógrafo era uma profissão, e para ser um deles, era necessário fazer um curso de datilografia naquelas máquinas geralmente manuais.
Existia um exame que constava de um mínimo de toques por minuto. E um máximo de erros.
Proliferavam escolas de datilografia, pois para algumas carreiras era necessário ser datilógrafo.
E dos bons. Uma secretária que não fosse exímia datilógrafa não conseguia emprego. Um escriturário também. Pouca gente era aceita no escritório sem ser bom datilógrafo. O jornalista, o escritor, todos eles tinham que saber datilografar.
Uma outra profissão era ser kardexista. Quando se abria o jornal na seção de empregos, os anúncios procurando kardexistas ocupavam páginas e mais páginas. E o que era um kardexista? Nada mais do que o controlador de estoque.
Explicando: kardex era uma espécie de ficha que ficava em um gaveteiro (o kardex). O kardexista tinha que manter o controle das entradas e das saídas de material na ficha kardex.
Era um especialista. E devia ganhar razoavelmente bem, pois tinha muita responsabilidade.
Pouca gente hoje deve ter ouvido falar o que significava ser datilógrafo ou kardexista. Os tempos são outros e ninguém hoje faz curso para digitar no computador. O controlador de estoque pode ser qualquer pessoa que use um programa da Microsoft.
Na realidade, no passado ninguém fazia carreira como datilógrafo, nem como kardexista. Mas os conhecimentos de datilografia, assim como do uso de fichário de kardex eram úteis em qualquer carreira. Datilografia era para o escritório, o kardex para a indústria.
A mesma coisa se diz de pessoas que estão começando a carreira. Muitas vezes, todos querem queimar etapas e passar logo a ter cargo de chefia. É até natural, afinal, coisas repetitivas não atraem ninguém.
Atualmente, a profissão (ou carreira) de secretária está em extinção. Muitas empresas nem têm secretária, a não ser o executivo-chefe e talvez os outros executivos de primeira linha. O “resto” se serve de, no máximo, um pool de secretárias, quando existe.
Na maioria das vezes, o próprio gerente tem que digitar o documento ou qualquer outro serviço que normalmente seria feito pela secretária de antigamente. É até bom porque o que seria a secretária de antigamente teve um upgrade na carreira e subiu de posto, é assistente.
Na moderna gestão de empresas no mundo ocidental, certas profissões ou carreiras se vão e não voltam mais. Uma coisa que não muda é que todos têm que começar de baixo, e por isso, a pessoa tem que saber fazer as tarefas que mais tarde serão feitas por gente subalterna.
Na cultura oriental, é mais menos como no filme “Karatê Kid”, em que o garoto (Daniel-san) tem que aprender fazendo o que o Sr. Miyagui manda, imitando os movimentos de passar cera no carro. Quem pensa que sabe tudo corre o risco de se dar mal.
Que tal começar a digitar ou controlar o estoque como nas máquinas de datilografia ou com o kardex? É só para a aprender o fundamental: a metodologia. A partir da metodologia, todos começam a saber que o que existe hoje é um upgrade do passado. E viva o progresso!

