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Inadimplência ameaça grandes colégios

Comum no segundo semestre, a inadimplência em estabelecimentos privados de ensino de Salvador tem ultrapassado os limites suportados pelos colégios este ano, obrigando algumas instituições, como é o caso do Colégio Dois de Julho, a recorrer a empréstimos em bancos para tentar sanar temporariamente o problema.
Desde o último dia 26, os professores do ensino médio da instituição e parte dos profissionais que atuam no nível fundamental paralisaram as atividades em reivindicação aos três meses de atraso no pagamento do salário. O motivo da falta de pagamento aos professores: o rombo no caixa devido a inadimplência de mais de 30% dos alunos.
De acordo com o diretor geral do Dois de Julho, professor Edilson Freire, a situação já passou dos limites e prejudica, principalmente, os alunos que estão em dias com as contas da escola. “Nós entendemos o lado dos professores que resolveram se rebelar porque não estão tendo como pagar as contas, embora continuem se dedicando ao trabalho”, afirmou.
Segundo ele, a direção do colégio tem feito um apelo aos pais que estão com dívidas acumuladas, mas as pessoas alegam passar por crise financeira. No caso do Colégio Dois de Julho que depende exclusivamente da renda arrecadada pela mensalidade para cumprir os pagamentos, a única saída encontrada foi procurar empréstimo em instituições financeiras utilizando como garantia imóveis do grupo.
Os professores pararam as aulas uma semana antes do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), revoltando os pais dos alunos. “Embora nós estejamos ao lado dos professores nesta luta, sabemos que os danos desta paralisação são irreparáveis, principalmente para os alunos do ensino médio”, afirmou Bruno D’Almeida. Pai de dois alunos e líder da Associação de pais dos alunos do colégio Dois de Julho, criada para arranjar soluções que ajudem no retorno as aulas, Bruno, que também é educador, procura junto com outros pais chegar a um consenso junto ao colégio para a solução do problema.
No Facebook, o grupo de pais tem 240 pessoas cadastradas que desde a deflagração da greve, fazem assembleias com a coordenação do colégio e professores. “Diante da falta de solução imediata para o problema, decidimos propor ao Conselho Estadual de Educação o oferecimentos de aulas com professores voluntários, já que faltam apenas sete dias úteis para a finalização do ano letivo”, informou.
O grupo fará um projeto adaptado as exigências do conselho para concluir o ano letivo através do projeto alternativo.
Os altos números de inadimplência estão presentes na maioria das instituições de ensino de Salvador. A crise de grandes instituições na cidade já levou muitas a fecharem as portas, a exemplo dos colégios Drummond, Teresa de Lisieux e Diplomata. Segundo o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia, Natalino Dantas, é sempre tentar a negociação.

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