Homens não fazem exame de toque, mesmo sabendo que teste é usado para detectar o câncer

Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia com 1.061 homens, de 10 capitais brasileiras, na faixa etária de 40 a 70 anos, mostrou que apenas 32% dos homens fizeram o exame de toque retal, apesar de 76% saber que o exame é usado para detectar o câncer de próstata.
Para o coordenador da Área Técnica de saúde do Homem do Ministério da Saúde*, Baldur Schubert, a pesquisa traz um alerta. “Nessa faixa etária é fundamental que os homens estejam atentos às questões de saúde, não apenas da próstata, mas também do coração, hipertensão e diabetes. É importante que os homens procurem os serviços de saúde para serem avaliados na integralidade, inclusive quanto à próstata”, afirma.
O estudo Saúde masculina: o homem e o câncer de próstata foi realizado em Belo Horizonte, Belém, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, entre os dias 2 e 7 de outubro de 2009.
Mas por que os homens não fazem o exame? A resposta pode estar no preconceito e machismo. O levantamento mostrou que 77% concordam que os homens não fazem exame de toque retal por preconceito e 54% percebem que os homens têm medo do exame. Mas, quando questionados sobre a não a realização do exame, apenas 8% admitem preconceito em relação ao toque, enquanto 13% afirmam descuido, preguiça, relaxo e falta de tempo.
“Ninguém vai dizer que é preconceituoso, pois não é politicamente correto, mas se admitíssemos o preconceito, talvez estivéssemos indo mais ao médico. O problema é que o homem foi educado para ser Super-Homem. Pra eles doença é sinal de fragilidade”, explica Schubert.
Sobre o exame realizado para diagnóstico do câncer de próstata, dados da pesquisa mostraram que 47% dos homens já fizeram o PSA (exame sanguíneo) e 54% têm conhecimento de tal exame. O coordenador Schubert, no entanto, reforça que para detectar o câncer de próstata é importante fazer dois exames, tanto o PSA, quanto o exame de toque, apenas os dois testes conjugados vão poder ajudar a verificar a presença de um problema na próstata ou a ausência dele.
ESCOLARIDADE X SAÚDE – Dado importante, também relevado no estudo, é que quanto mais escolarizado e maior a classe social, maior o cuidado com a saúde. Cerca de 79% dos homens com nível universitário já foram ao urologista, enquanto 46% dos que têm ensino fundamental foram ao especialista. Homens da capital Sudeste são os que mais vão ao urologista (62%) e os do Norte vão menos (36%).
Uma análise da pesquisa que cruza os dados da classe social e a realização de exames, mostra que cerca de 74% dos homens das classes D/E nunca fizeram o PSA. E nas classes D e E, 38% desconhecem os exames que detectam o câncer de próstata; por outro lado 93% dos homens das classes A e B conhecem algum exame diagnóstico dessa doença.
As maiores influências para o homem ir ao médico são a esposa ou a companheira (66%) dos entrevistados.


