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Vício em internet pode ser considerado um problema psiquiátrico?

Muitos estudos confirmaram a existência de uso compulsivo ou dependente da internet. Uma parte das pessoas que usam a internet o faz de forma compulsiva, levando a consequências negativas, incluindo efeitos prejudiciais sobre o desempenho acadêmico e profissional. A dependência de internet pode ser encontrada em qualquer faixa etária, nível educacional e estrato socioeconômico. Entretanto, ainda há muitas perguntas a serem respondidas antes de chegarmos a uma conclusão definitiva sobre os efeitos do abuso de internet. 

A internet não é algo completamente novo.Todavia, é nova a intensidade, acessibilidade e
disponibilidade com que podemos interagir de maneira anônima e prazerosa.  Sabemos que a maioria das atividades que produzem efeitos prazerosos tende a ser repetida, assim é natural que as pessoas aumentem o uso da internet devido à sua natureza prazerosa. 

O padrão dependente de uso da internet envolveria não apenas a presença de tolerância, exigindo mais tempo de conexão, ou uso mais frequente, como também a presença de alguma forma de abstinência. Esse padrão de abstinência envolve um estado de maior excitação e desconforto psicológico quando separado da internet. Os sintomas de abstinência parecem variar dependendo do indivíduo, mas a abstinência da internet quase sempre inclui um grau de protesto verbal quando a tecnologia é removida, especialmente se a dita remoção é feita por um dos pais. Tipicamente, esses protestos incluem explosões de forte emoção, frustração, sentimento de perda, separação, intranquilidade e o sentimento de que falta alguma coisa. Às vezes, podem ocorrer expressões físicas de raiva e manipulação, coação ou chantagem. Pode haver desobediência; isso é frequentemente observado em crianças e adolescentes cujos pais removeram a tecnologia. Outros sintomas de abstinência incluem aumento de ansiedade, raiva, tristeza, irritabilidade e isolamento social. 

O uso da internet de forma patológica leva a desequilíbrio ou distanciamento no restante da vida da pessoa. Isso se manifestaria como um impacto em uma ou mais esferas importantes da vida (relacionamentos, trabalho, desempenho escolar, saúde ou finanças). Se o uso da internet não está influenciando nenhuma área importante da vida, provavelmente não constitui um problema que mereça ser chamado de dependência. 

É possível que benefícios indiretos reforcem ainda mais o padrão de dependência da internet. Esses benefícios podem estar presentes na forma de fuga de situações que provocam ansiedade, tais como: interação social, desempenho na escola ou no trabalho; ou como uma fuga de relacionamentos familiares. Para pessoas com algum transtorno psiquiátrico como, por exemplo: dificuldades de aprendizagem, transtorno de déficit de atenção, autismo, ansiedade e fobias, a internet passa a ser um ambiente seguro, previsível, circunscrito. Ela prende a atenção, apresenta novidades estimulantes intermináveis, minimiza a interação social em tempo real e fornece reforço e recompensas ilimitadas. 

A maior parte dos casos de dependência da internet apresenta uma comorbidade associada, em sua maioria, a quadros de humor e/ou ansiedade. Assim sendo, o tratamento para essa dependência é, em todos os sentidos, bem semelhante àquela praticada para o tratamento desses transtornos como quadros primários. No que diz respeito a outras formas de intervenção, sugere-se terapia de apoio e de aconselhamento, terapia familiar, entrevista motivacional e psicoterapia cognitivo-comportamental.

Parece que estamos fugindo de alguma coisa. Estamos tentando nos amortecer ou lidar com o tédio? Sentimos-nos desconectados de nós mesmos e das nossas vidas? Seguimos conectados, mas também desconectados, nos distraindo de modo aparentemente interminável. Gradativamente os indivíduos trocam a vida real pela vida virtual (dentro da internet), pois encontram mais satisfação nesse mundo anônimo do que aquela desfrutada no mundo real, no contato diário com os familiares, na interação real com amigos, nas conversas desenvolvidas com olhos nos olhos. A nossa capacidade de reconhecer o impacto positivo e negativo do uso da internet é o que nos permitirá lidar com ela de maneira mais positiva e consciente. No final das contas, precisamos aprender a viver a nossa vida usando o computador de forma consciente e mais equilibrada, valorizando a verdadeira interação social, o contato físico, as conversas em família e todo prazer que se extrai das coisas simples e importantes da vida. 

(Ibahia)

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