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Mantega classifica de ‘absurdo’ a reação dos EUA frente às medidas de proteção do Brasil

Ministro da Fazenda, o economista GuidoMantega qualificou como “absurdo” a crítica do governo dos Estados Unidos em relação às medidas de proteção da economia brasileira frente à crise porque passa o capitalismo mundial, em particular o sistema norte-americano, epicentro da tragédia financeira gerada na Wall Street, em setembro de 2008. Durante seminário promovido pela revista conservadora britânica The EconomistMantega insistiu que o Brasil adota número menor de barreiras comparado aos EUA, Alemanha e ao Reino Unido.
Segundo o ministro, “o Brasil está no final da fila. É verdade, tomamos algumas medidas (comerciais), mas perdemos de longe da maioria dos países”. Ao abrir o segundo dia da conferência, Mantega usou dados da Global Trade Alert para justificar que o Brasil adota muito menos medidas protecionistas que os Estados Unidos.
– Além de medidas diretas de protecionismo, ainda temos o quantitative easing (maciça injeção de recursos na economia pelo Fed, o banco central dos EUA), que é uma forma indireta de protecionismo, porque desvaloriza a moeda local, reduz o valor do dólar, e um dos objetivos disso é poder aumentar as exportações (norte-)americanas – afirmou Mantega.
Na véspera, os norte-americanos protestaram oficialmente, em uma carta ao governo brasileiro, contra as barreiras comerciais adotadas por Brasília. Mantega ainda garantiu que o governo brasileiro irá reagir diante da nova injeção de recursos por parte do Fed.
– O Brasil não vai permitir que o real se valorize. Vamos tomar as medidas necessárias. O Banco Central vai comprar mais reservas e podemos tomar outras medidas como taxação e a volta do IOF – acrescentou o ministro.
Ele disse ainda que a guerra cambial é uma “realidade”, mas o governo não permitirá uma queda de competitividade da indústria e, para isso, pretende “uma indústria forte”, afirmou, em Londres. Entre os segmentos industriais que devem ser fortalecidos, Mantega citou, sem mencionar um prazo, que a produção nacional de petróleo subirá de 2 milhões de barris por dia (bpd) para entre 5 milhões e 6 milhões de bpd.
Mantega disse também que o país “ainda tem espaço para redução” da taxa de juros e insistiu que o governo continuará se utilizando de políticas monetárias para promover crescimento.
(Correio do Brasil)

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