Cais do Mercado está caindo aos pedaços

O tradicional Cais do Mercado, também chamado Cais do Saveiro, que ficou conhecido através dos livros de Jorge Amado e em cenas do filme “Cidade Baixa” estrelado pelos atores baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, se encontra em estado de degradação.
Situado na Baía de Todos os Santos, no bairro do Comércio, próximo a dois dos principais cartões-postais da cidade, o Elevador Lacerda e Mercado Modelo, o cais está caindo aos pedaços.
Quem passa pela região observa diariamente crianças e adolescentes se banhando nas águas, o que faz lembrar cenas do filme Capitães da Areia.
Até os anos 80, o cais serviu de atracadouro para saveiros de cargas que vinham das cidades de Maragogipe, Cachoeira, São Roque, São Felix e Nazaré das Farinhas carregado de mercadorias. Com o passar do tempo, a tradição foi acabando, e atualmente o local virou atracadouro de canoas e pequenos barcos de pesca. Sem nenhuma estrutura adequada, a rampa é utilizada por pescadores como ponto de venda de peixes e mariscos.
Quem circula pela região só consegue observar saveiros atracados no cais em épocas de festas ao mar.
Sem passar por nenhuma intervenção de melhorias, a rampa de concreto e as duas escadarias de pedras que dão acesso ao mar estão danificadas, e uma delas está prestes a desabar.
As grades de proteção foram destruídas por conta do salitre. Pedaços de ferro velho, limo e muito lixo fazem parte do cenário do cais onde turistas, principalmente estrangeiros, ainda se arriscam e fazem pequenas viagens no trecho entre a Baía de Todos os Santos e o Forte de São Marcelo.
Pescador desde os 12 anos de idade, Rogério Garcia, 54 anos, relembra com saudades o tempo em que os saveiros descarregavam mercadorias como carne, panelas de barros entre outros objetos, no local. Ele, que já atuou como figurante no filme Capitães da Areia, ressaltou que por ser um local situado em um dos principais pontos turísticos da cidade deveria ser revitalizado.
“Além de toda degradação, o local virou ponto de encontro de usuários de drogas. Sem contar o perigo que as crianças correm quando estão mergulhando no local por conta da grande quantidade de ferro espalhado pela água. Sinto saudade da época em que dezenas de saveiros atracavam para descarregar mercadorias. As autoridades precisam fazer algo para melhorar a situação do cais”, desabafou.(TB)


