Assad disse estar decidido a limpar terroristas do país

O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou nesta terça-feira que está decidido a arrasar a rebelião contra seu regime ao receber seu aliado iraniano, durante sua primeira aparição na TV pública desde 22 de julho. “O povo sírio e seu governo estão decididos a purgar o país de terroristas e combatê-los sem descanso”, declarou Assad durante encontro com Said Jalili, emissário do Guia Supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
A televisão pública síria mostrou o presidente durante a cerimônia de posse do novo ministro da Defesa e conversando com Jalili e com outros membros da delegação iraniana. Assad e Jalili examinaram “as relações bilaterais entre a Síria e a República Islâmica do Irã, assim como a situação na região”, indicou a televisão.
Jalili afirmou claramente que o Irã permanecerá ao lado do regime sírio diante de quem quiser quebrar a Síria, elemento fundamental da “resistência contra os Estados Unidos e Israel”. “O Irã jamais permitirá que se quebre o eixo da resistência da qual a Síria é um pilar fundamental”, afirmou durante sua reunião com Assad.
“A situação na Síria não é uma crise interna, e sim um conflito do eixo da resistência nesta região” contra Israel e Estados Unidos, acrescentou Jalili. No dia seguinte à morte de 265 pessoas em todo o país, segundo uma ONG síria, um dos dias mais violentos desde o início da contestação há mais de 16 meses, o Exército continuou a bombardear intensamente Aleppo (norte), segunda maior cidade do país e região crucial para a definição da guerra no país.
“A solução para a crise na Síria deve partir do interior deste país, por meio de um diálogo nacional, e não via intervenção de forças externas”, declarou Jalili, citado pelo correspondente em Damasco do canal iraniano Al-Alam. “O povo sírio é hostil a qualquer plano apoiado por sionistas ou pelos Estados Unidos”, acrescentou Jalili.
O Irã acusa os Estados Unidos, a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia de ajudarem os rebeldes a derrubar o regime. Já os insurgentes e os Estados Unidos acusam o Irã de apoiar militarmente Damasco. O destino dos reféns iranianos Referindo-se aos 48 iranianos sequestrados sábado na província de Damasco, Jalili, que chegou ontem de manhã de Beirute, afirmou que “o Irã está usando de todos os meios para garantir a libertação imediata dos peregrinos inocente sequestrados”.
Teerã garante que os prisioneiros são peregrinos, enquanto que “Brigada Al-Bara”, que reivindicou a captura, garante que eles pertencem à Guarda Revolucionária, um Exército de elite do regime islâmico. De acordo com a brigada rebelde, três iranianos foram mortos durante um bombardeio das forças do regime.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Ali Akbar Salehi, deve visitar a Turquia no final da tarde para discutir o destino dos reféns. “Na medida em que o Exército Sírio Livre (ESL, rebeldes), que afirma ter sequestrado os peregrinos, é apoiado pela Turquia, a visita do ministro serve para lembrar a responsabilidade do governo turco neste caso”, disse Salehi.
O Irã afirmou que Washington também é responsável pela vida dos reféns, por causa do “apoio descarado dos Estados Unidos aos terroristas”. No terreno, a violência deixou mais 51 mortos, entre eles 30 civis, 13 soldados e oito rebeldes, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), que obtém seus registros de uma rede de ativistas e testemunhas na Síria.
(Terra)

