Professores em greve preferem pôr seus filhos em escolas privadas

Nilo respondeu: “Eu estudei em Escola Publica. O filho do Prof Rui estuda na particular”, cutucou no microblog. Um usuário complementou: “O filho de Rui estuda na escola particular como seus filhos estudaram, @depmarcelonilo. Ou a escola pública é boa e vcs gastam $ por hobby?”.
A coordenadora pedagógica e integrante do movimento grevista, Edenice Santana, afirmou que seus filhos só estudaram em escolas públicas por falta de condições financeiras e questionou a qualificação de parte da grade de professores em salas de aula.
Mudança
O professor de Artes e dirigente sindical da APLB, Paulo Filgueiras, ressaltou as mudanças ocorridas na escola pública como justificativa para manter seu filho na rede privada. “A escola pública se respeitava. Só a elite – como Marcelo Nilo – frequentava esses colégios, que eram de alta qualidade. Quem ia para particular era relapso e incompetente. Era papai pagou, filhinho passou”, recordou.
Ele ainda matriculou o filho de 17 anos em colégio estadual, mas voltou atrás. “A realidade hoje é outra. Na última hora, minha mulher apelou para que ele não fosse para o ensino público. O pouco dinheiro que ganho é pra pagar a mensalidade”, ressaltou Filgueiras.
Ele defendeu a criação de um projeto de lei que determine que os filhos de todos os servidores públicos estudem em colégios sob a coordenação do Poder Executivo. “Se existisse, eu seria o primeiro a colocar meu filho”, assegurou.
Uma das principais interlocutoras do movimento grevista, a professora Vanessa Matos, ainda não é mãe, mas espera que possa ver seus filhos em colégios públicos. “Cada qual escolhe onde seu filho vai estudar. Espero que o meu possa ter acesso a uma educação pública de qualidade. É por essas melhorias que estamos parados há mais de três meses”, defendeu.
O diretor de organização da APLB, José Dias, lembrou que o filho estuda em colégio estadual. “Estou preocupado com o futuro dele, mas não vou tirá-lo da rede pública, apesar de não haver qualidade nos aspectos estruturais e, em certos casos, pedagógicos”, disse.

