Líbios votam hoje nas primeiras eleições pós-Kadhafi

A Líbia realiza hoje as primeiras eleições legislativas desde a queda do regime de Muammar Kadhafi num clima de tensão, marcado pela incapacidade do Governo para impor a sua autoridade em várias zonas do país. Em Ajdabiya, uma das principais cidade do leste do país, e em Brega, as autoridades suspenderam a votação depois de vários incidentes nas assembleias de voto dessas localidades.
Cerca de 2,8 milhões de eleitores são chamados a eleger os 200 membros do Congresso Geral Nacional, assembleia que vai escolher um novo Governo e nomear uma comissão de peritos para redigir um projeto de Constituição.
A Comissão Eleitoral aprovou 2.501 candidaturas independentes, que concorrem a 120 dos lugares da assembleia, e 1.206 de movimentos políticos, concorrentes aos restantes 80 lugares.
Durante a campanha eleitoral, três movimentos destacaram-se: o Partido da Justiça e do Desenvolvimento, criado pela Irmandade Muçulmana, o Al-Watan, do ex-comandante militar de Tripoli Abdelhakim Belhaj, e a coligação liberal, liderada por Mahmud Jibril, líder do CNT durante a revolta.
Para garantir a segurança, foi decretado o estado de alerta durante a jornada eleitoral e mobilizados 40.000 agentes das forças de segurança.
As últimas semanas ficaram marcadas por confrontos tribais numa região montanhosa a sul da capital, Tripoli, protestos e apelos ao boicote no extremo sudeste do país, bem como por ataques a missões diplomáticas estrangeiras e sedes do conselho eleitoral na segunda cidade do país e berço da revolta, Benghazi.
A Líbia está em processo de transição política, na sequência da revolta iniciada a 17 de fevereiro de 2011 contra o regime de Muammar Kadhafi, no poder durante 42 anos, que culminou na morte do dirigente, às mãos dos rebeldes, a 20 de outubro seguinte.
Autoridades suspendem votação em Ajdabiya e Brega
Segundo uma fonte de segurança, grupos de líbios defensores do federalismo, que consideram que o leste do país estará sub-representado na Assembleia Legislativa que se elege hoje, e alguns islamitas radicais entraram em vários centros de votação e queimaram ou roubaram urnas.

