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Classe média investe em lanchas

A casa própria e o carro zero ganharam companhia entre os itens mais desejados pela classe média brasileira. Antes considerados artigos de luxo, as lanchas ganharam o status de “popular” e passaram a fazer parte da rotina de pessoas que aproveitaram o maior acesso ao crédito e a renda em crescimento para realizar um antigo sonho. 

“Sempre quis navegar. Desde menino imaginava como seria ter uma lancha e atravessar a Baía de Todos os Santos. Como tinha um dinheiro sobrando, decidi investir em um este ano. É o meu passatempo. Me endividei um pouco, mas acho que valeu a pena”, disse o microempresário Artur Marques, proprietário de uma pequena embarcação que costuma ficar atracada na Marina da Ribeira, em Salvador.

Segundo Danielson Costa Lima, diretor-proprietário da Danáutica, loja especializada na venda de barcos, o caso de Artur não é isolado. A procura por embarcações tem crescido junto à classe média, atraída principalmente pelos baixos preços de pequenas lanchas.
“O mercado cresceu bastante em relação ao que tínhamos há alguns anos. Hoje, uma  lancha nova pode ser encontrada em torno de R$40 mil, o preço de um carro popular. 
Já as embarcações usadas saem por R$20 mil, um valor que está na realidade da classe média e que tem contribuído para deixar a navegação mais popular”, afirmou.
O número limitado de opções de lazer a céu aberto é outro fator que tem contribuído para o aumento do número de pessoas que buscam a compra de uma lancha, principalmente em Salvador, conforme atesta o proprietário da Danáutica. “As pessoas não têm mais as barracas de praia e já não acham interessante ficar na orla da cidade. 

Por isso, compram uma embarcação e viajam para ilhas próximas. O custo de combustível é baixo e elas ainda podem levar o que vão consumir no local”.
Apesar de conquistar a classe média, a navegação é um passatempo que exige cuidados e também certa reserva bancária. O preço de uma vaga na Marina da Ribeira, local que atualmente possui dezenas de pequenas embarcações atracadas, gira em torno de R$500, a depender do tamanho da embarcação. 

“Na vaga seca, cobramos R$540 por um barco de 6,5 metros. Já na vaga molhada, o preço para a mesma embarcação é de aproximadamente R$300. Além disso, quem vai comprar um barco precisa saber que vai gastar com manutenção e com um marinheiro.
Se não tiver atenção, a compra de uma lancha pode se tornar um grande problema. Tudo tem que ser muito bem planejado”, destacou Vanderley Santos, encarregado de área do Saveiro Clube da Bahia, instalado na Ribeira. 
Dono de um saveiro, Vanderley ressalta que, quando realizada com planejamento, a compra de uma lancha se transforma em um prazer impossível de ser descrito.

“É maravilhoso, não tem nem palavras. Em um saveiro, tudo fica ainda melhor, porque se pode andar pela embarcação. Vou até participar da regata de Maragojipe deste ano. Em um passeio da para descarregar todas as frustrações do dia a dia. É muito bom”.
Para pilotar uma embarcação, é necessária a retirada do Arrais Amador, que funciona como uma carteira de motorista. A Capitania dos Portos é o órgão responsável pela emissão do documento.

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