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Mais de meia tonelada de lixo é retirada em praia da Ilha de Itaparica

Algumas imagens da praia de Mar Grande, na Ilha de Itaparica, remetem ao cenário da novela das 8h da Rede Globo, onde crianças são criadas em meio a um lixão. Resultado disso são as mortes de golfinhos, moréias e tartarugas, comuns na região. Para se ter dimensão do problema, a Organização Socioambientalista PRÓ-MAR anunciou que em apenas quatro meses, retirou 662 quilos de resíduos sólidos deste ambiente, em ações semanais.

Segundo o líder da PRÓ-MAR, Zé Pescador, a Organização passou a monitorar voluntariamente o lixo da praia do Duro, local próximo ao Terminal Marítimo das Lanchas, há pouco mais de um ano, em razão da notável omissão e agressão ao meio ambiente. “Todas as segundas-feiras pela manhã realizamos a coleta voluntária, pesagem e os registros fotográficos dos lixos deixados na praia, em ações de apenas 20 minutos, numa área de 200m². É impressionante a falta de consciência dos freqüentadores e comerciantes da região. Encontra-se de tudo no local, de vaso sanitário a mochilas escolares, mas o grande montante mesmo é de copos e garrafas plásticas”, explicou o gestor, que garatiu ter reunido diversas vezes com barraqueiros e prefeitura de Vera Cruz para tratar do assunto, mas nunca obteve êxito.

O lixo está presente no organismo da maioria dos golfinhos encalhados e é um dos principais responsáveis pela morte de tartarugas, conforme o biólogo do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA), Luciano Alardo. “A cada 10 encalhes de golfinhos, seis possuem lixo no estômago. Nas tartarugas esse número é ainda mais alarmante, a estimativa supera 90%.”, alertou o biólogo. 

“São copos plásticos, embalagens de doces, tampinhas de garrafa, isopor e artigos de pesca. Eles confundem estes resíduos com animais, a exemplo de lulas e polvos, por causa do formato e cor”, acrescentou.

De acordo com a bióloga Nelma Freitas, que coordena o núcleo de Educação Ambiental da PRÓ-MAR, tratar a questão do lixo na comunidade é um trabalho bastante árduo, mas já tem surtido efeito nas crianças. “Desde o ano 2000 realizamos atividades de educação para a sustentabilidade e conservação da biodiversidade dos ecossistemas costeiros da Ilha. Hoje, trabalhamos com ações voltadas, principalmente, para as crianças, pois elas estão suscetíveis a mudanças, são mais conscientes e multiplicam os ensinamentos aos pais”, declarou. 

Ainda segundo a coordenadora, através das atividades de educação ambiental da ONG (Programa PRÓ-MAR Vai à Escola, exposições, palestras, limpezas de praias e centro de visitantes), no ano passado foram contempladas 9887 pessoas e 29 instituições de ensino. “Os estudantes são envolvidos através de livros ilustrados, fotografias, aulas práticas em visitas aos ambientes e atividades lúdicas”, concluiu.

(Tribuna da Bahia)

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