Continua a quebra de braço entre o governo e professores. Com a paralisação da categoria que completa hoje 16 dias, pelo menos um milhão e meio de alunos estão sem aulas em todo o estado da Bahia. Por ser considerada ilegal pela justiça, os professores que aderiram ao movimento grevista tiveram o ponto cortado pelos dias de paralisação.
Por conta do desconto nos salários, os educadores informaram que pretendem intensificar as ações de divulgação da greve em toda a capital e interior. Hoje, a partir das 9 horas, os grevistas vão realizar uma nova assembleia.
De acordo com Rui Oliveira, presidente do sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), o corte nos salários comprometeu ainda mais o ano letivo, já que os professores não pretendem repor as aulas. Ainda de acordo com Rui, sábado e domingo, a categoria pretende percorrer os bairros da capital fazendo divulgação do movimento.
“O governo corta nossos salários, mas não tira nossa dignidade. Vamos intensificar as ações em feiras livres e campo de futebol. Não vamos desistir dos nossos direitos. Vamos lutar até o fim”, ressaltou Rui.
Apesar da decisão judicial que determinou a volta imediata dos professores da capital baiana, em greve desde o último dia 11 de abril, sob pena de multa diária no valor de R$ 50 mil pelo não cumprimento, o sindicato da APLB segue com o movimento e com a ocupação na Assembleia Legislativa.
De acordo com Hercia Azevedo, diretora da APLB, a categoria está indignada com a aprovação do Projeto de Lei 19.779/2012, que trata do reajuste salarial dos professores da rede estadual e que foi aprovado na noite da última terça-feira (24), por 33 voto a favor versus 19 votos contrários.
Com a aprovação do projeto, os professores terão reajuste de 3% em 2013 e 4% até 2014. Porém, a categoria luta por um reajuste de 22,22%. “Estamos abertos ao diálogo. O corte nos salários nos uniu ainda mais para continuar lutando pelos nossos direitos”, disse.
Por meio de nota, as secretarias da Administração e da Educação informam que a suspensão de pagamento dos dias de falta, em cumprimento à determinação da Justiça que declarou a necessidade de retorno imediato ao trabalho, foi aplicada aos profissionais das escolas em que as Diretorias Regionais de Educação comprovaram paralisação total das atividades.
Por conta desta apuração, a liberação da consulta ao contracheque e o pagamento do primeiro lote da folha dos profissionais só ocorrerão a partir das 19h desta sexta-feira.
O segundo lote será pago normalmente na segunda, 30. Eventuais correções nos pagamentos serão realizadas em folhas suplementares, já programadas para os dias 5 e 11 de maio. Ainda de acordo com a nota, o governo do Estado convoca os professores ao trabalho, a fim de evitar mais prejuízos para os alunos.
(Tribuna da Bahia)
Relacionado