O que é ‘nacionalismo de vacina’?

O termo “nacionalismo de vacinas” se refere às ações de governos que buscam garantir suprimentos para suas próprias populações, às custas de outros, de forma gananciosa ou injusta.

Muitas nações ricas estão comprando suprimentos em acordos bilaterais com países que possuem indústrias farmacêuticas — e elas compram muito mais do que realmente precisam.

Por exemplo, o Canadá encomendou doses suficientes para cinco vezes a sua população e também deve receber vacinas AstraZeneca excedentes dos EUA depois que o presidente Joe Biden anunciou que doaria parte do suprimento enquanto aguarda a aprovação da vacina para uso no país.

Da mesma forma, o Reino Unido foi acusado de acumular suprimentos de vacinas. Jeremy Farrar, diretor da ONG para pesquisas em saúde Wellcome, diz que o país terá acesso a doses suficientes para vacinar toda a sua população duas vezes.

“Precisamos começar a pensar além de nossas fronteiras. Essas doses não serão úteis no Reino Unido e é hora de começarmos a compartilhar essas doses com os mais necessitados em todo o mundo”, disse.

“Isso é mais do que uma questão de ética — é um imperativo científico e econômico.”

A União Europeia também ameaçou controlar as exportações de vacinas produzidas em seu território enquanto patina com seu próprio programa de implantação de vacinas.

Tudo isso significa que suprimentos valiosos de vacinas estão sendo retidos em um punhado de economias ricas e não estão sendo compartilhados de forma equânime com as nações mais pobres.

Seth Berkley, CEO da aliança de vacinas Gavi, disse no mês passado: “Se os governos continuarem com esse tipo de nacionalismo de vacina e se os fabricantes apenas oferecerem vacinas Covid-19 para quem der lances maiores, assim como em 2009 [com as vacinas contra a gripe suína], isso só vai prolongar a crise”.

“Mesmo que as doses sejam prometidas a todos os países mais adiante, atrasar a disponibilidade de doses ao redor do mundo permitirá que o coronavírus continue a circular, sofra mutações e potencialmente se adapte melhor ao hospedeiro humano. Isso vai contra os melhores interesses de todos.”

As vacinas estão chegando a quem precisa?

Muitos países de renda média e a maioria dos países de baixa renda dependem da coalizão de vacinas Covax para garantir imunizantes para suas populações.

A iniciativa liderada pela OMS visa entregar seis bilhões de doses para os países mais pobres, com dois bilhões programados para serem administrados em 2021.

A Covax já despachou 32 milhões de doses para 70 participantes, com Tonga e Trinidad e Tobago recebendo as últimas entregas, de acordo com Gavi, a aliança que coordena o programa Covax.

Espera-se que os países africanos estejam entre os últimos a vacinar a maior parte de suas populações. Eles serão particularmente dependentes dessa iniciativa.

Gana foi a primeira nação a começar a receber vacinas da Covax no mês passado, após cumprir critérios rígidos e prometer distribuição rápida. No entanto, sua entrega inicial foi de apenas 600 mil doses para um país de 31 milhões de pessoas.

Anne Mawathe, editora de saúde da BBC África, sugere que é provável que muitos países africanos acabem comprando as vacinas a um preço mais alto do que o pago pelos ocidentais, em parte porque não encomendaram os suprimentos antecipadamente.

Ela acrescenta: “Alguns pediram que grandes empresas farmacêuticas parassem de bloquear a dispensa de patentes, o que levaria a preços mais baixos e significaria que mais vacina seria produzida. Mas as empresas não concordaram com isso, sabendo que isso poderia prejudicar qualquer margem de lucro.”

(G1)

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