Na contramão da geração de emprego e renda em Periperi

Por:Jorge Andrade, Em ofício encaminhado a grupo empresarial, vereador alega que estádio é importante para o bairro. Capital baiana é campeã regional de desemprego
No mês de outubro de 2018, em matéria publicada no jornal Correio da Bahia ( LEIA AQUI), os cidadão baianos mais atentos tiveram acesso à informação que dava conta do crescimento do índice de desemprego na capital baiana e em sua região metropolitana. O levantamento realizado pelo DIEESE revelava que cerca de 380 mil pessoas estava completamente sem renda em Salvador e em municípios que forma a Grande Salvador.

A pesquisa traz dados consolidados de uma dura realidade. Um ponto que chama atenção, é o fato da redução das vagas de emprego no setor privado e, acreditem, o crescimento de vagas ocupadas no setor público. Ou seja, para a a grande população, formada por moradores de bairros periféricos e de municípios que, em grande parte, dependem das verbas repassadas pelo estado através do Fundo de Participação dos Municípios, as vagas são cada vez mais escassas. enquanto isso, o setor público contrata cada vez mais. Através de nomeações ou concursos que não alcançam toda a população.

Nesse cenário que aponta para a desolação de famílias que vêm seus filhos e filhas sem emprego e renda, um fato chama atenção: Em um ofício encaminhado ao grupo empresarial Damrak do Brasil Participações e Empreendimentos, que planeja construir um supermercado na área do decadente Estádio de Periperi – encravado em uma das mais importantes regiões comerciais do Subúrbio Ferroviário -, o vereador Téo Senna, membro da Comissão de Educação, Esporte Lazer e Presidente da Comissão das ONGs da Câmara Municipal de Salvador, solicita que a iniciativa empresarial seja parada até que uma audiência pública seja realizada para que a “sociedade organizada” discuta a referida construção. Pasmem! Um vereador de Salvador, cidade com o maior índice de desemprego da região, se opõem a construção de um empreendimento que, em um primeiro momento renderá vagas de emprego para centenas de trabalhadores da construção civil e, depois de construído, renderá centenas de empregos diretos e indiretos para jovens dos 22 bairros que compoem o Subúrbio Ferroviário!

Mais espantosa do que essa situação, é o fato de que, na história recente do Subúrbio Ferroviário de Salvador, a Câmara Municipal ou ainda uma das suas Comissões, jamais se dispões a realizar uma Audiência Pública com a “sociedade organizada” do Subúrbio Ferroviário para discutir formas de atrair mais empresas e empreendimentos para a região onde mais de 300 mil pessoas residem. O fato do edil em tela ser um homem probo e de excelente reputação, me faz pensar que esse ofício esdruxulo é fruto de um imenso equivoco. Digo equivoco por que o Téo Senna conhece muito bem a realidade dos bairros suburbanos, suas carências e necessidades. E, ainda que seu comprometimento com a prática esportiva fale alto, é inegável que aqui se precisa mais de emprego e renda do que de campos de futebol.

Desnecessário sinalizar que, somente em Periperi, existem pelo menos três espaços disponíveis à prática esportiva: O Campo de Futebol dos Mirantes de Periperi, onde recentemente a prefeitura de Salvador realizou a construção de arquibancadas e vestiários, o Campo da Praça do Sol e o Campo do Ferroviário localizado na Praia de Periperi. Menos frequentado, mas existente, o Campo de várzea que se localiza atrás do Conjunto da Urbis, próximo ao final de linha do bairro, também é uma opção viável para abrigar projetos educacionais e esportivos. Todas essas áreas já residem sob a égide do poder público e exigiriam investimento muito inferiores aos necessários para ressuscitar o falecido Estadio de Periperi.

Portanto, constatar que um vereador, ou vereadores, pode tentar barrar uma iniciativa que trará benefícios enormes para um região em nome de caprichos de pequenos grupos é, no mínimo, certificar que o interesse de grupos sobrepõem as necessidades de comunidades inteiras. Emprego e renda, impostos gerados pelo empreendimento e, a revitalização de uma área que claramente está volta da o comércio, estão em segundo plano para os legisladores soteropolitanos. Espero que o prefeito de Salvador não tenha sido contaminado com o vírus da incoerência e avalie que a capital baiana precisa ampliar seus espaços empresariais. Assim como Neto festou a possibilidade da vinda da LeRoy Merlin e do Carreful, que serão instalados em áreas nobres da cidade, também se encante pela possibilidade de Periperi receber um empreendimento que abrirá vagas de trabalho para jovens da Suburbana.

Finalizo, como o exemplo do prefeito de Alagoinhas, o demista Joaquim Neto, que festejou semana passada a abertura de uma mega loja do Grupo Atakarejo. O empreendimento gerará 400 empregos diretos para moradores do município e, por incrível que possa parecer, nenhum vereador se declarou contrário a empreitada. Fica a dica!

(Giro Politico)

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