Prefeitura promove cardápio inclusivo para alunos neurodivergentes em Salvador
A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Smed), atua na montagem de um cardápio inclusivo para atender às necessidades alimentares de crianças neurodivergentes. Adaptado às particularidades de cada aluno, o cardápio é elaborado por nutricionistas e gestores, que buscam tornar o momento da alimentação mais acolhedor.
A iniciativa ocorre em diversas unidades de ensino da cidade, entre elas o Centro Municipal de Educação Infantil Calabar (Cmei Calabar). A instituição segue uma lista de recomendações alimentares específicas para alunos com seletividade alimentar.
O Cmei Calabar é acompanhado de perto por equipes da Secretaria de Educação, principalmente pela nutricionista Fernanda Fontes. A profissional aponta o papel da alimentação no convívio entre as crianças.
“Atender essas crianças com algumas particularidades alimentares dentro do ambiente escolar é de suma importância, pois entramos diretamente na questão da individualidade. O momento da alimentação com os colegas é essencial no dia a dia e funciona como uma forma de incentivo para expandir a alimentação, muitas vezes mais padronizada em casa”, afirma Fernanda.
Coordenadora da unidade escolar, Kelle Cristina explica como funciona o processo na prática. “Buscamos ajustar o cardápio para que todos se sintam acolhidos e respeitados. Realizamos entrevistas com os pais e observamos tudo diariamente, levantando as preferências e ajustando o cardápio escolar”, relata Kelle.
Segundo a coordenadora, há três tabelas de alimentação, voltadas para alunos seletivos, alérgicos e aqueles com questões religiosas. Antes de qualquer preparo, as merendeiras precisam observar o que é pré-determinado. As tabelas ficam disponíveis na cozinha e na sala de aula.
Uma das merendeiras do grupo estudantil, Paula Mariana reforça a necessidade de sempre prestar atenção aos mínimos detalhes. “Tomamos muito cuidado na hora da preparação, além da higiene. Criamos uma tabela que fala sobre cada aluno com alimentação diferente. Tem alunos intolerantes a lactose, alunos que não podem comer nada com corante. Eles estão sob nossa responsabilidade, então é necessário estar sempre atenta”, afirma a merendeira.
Vitória Silva, 25 anos, relata alguns dos impactos positivos do cardápio inclusivo para a sua filha, Ana Sofia, de 6 anos. “Ela chegava a passar quase o dia todo sem comer nada, tinha muita dificuldade em comer na escola. Após conversas com a coordenadora e apoio da escola, ela começou a ter refeições completas. Às vezes, ela nos conta em casa ‘mamãe, comi macarrão com ovo, farofa’. Ouvir isso é gratificante”, conta Vitória.
Mãe de Luna Dias, também de 6 anos, Itala Miriele, 30 anos, ressalta a importância da introdução alimentar escolar na vida da filha. Segundo Itala, as mudanças na rotina da menina foram fundamentais. “Luna só gosta de comer coisas batidas, como feijão e arroz juntos, sem ver os grãos. A escola foi muito importante na introdução alimentar dela. Até 2024, ela só comia um tipo de cereal infantil, então observar todas essas mudanças é muito bom”, comenta Itala.
Foto: Robson Lopes / Secom PMS
Reportagem: Marco Pitangueira / Secom PMS

