A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e do Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), realiza a 7ª Conferência Municipal de Cultura. Iniciado nesta quarta-feira (4), o encontro segue até amanhã (5), no Quarteirão das Artes Moraes Moreira, no Centro.
A iniciativa promove o diálogo entre o poder público e a sociedade civil para avaliar e fortalecer as políticas culturais do município. Com o tema “Revisão do Plano Municipal de Cultura”, a conferência tem como principal objetivo discutir o aprimoramento das metas e ações do documento, cuja vigência se estende até 2032. A programação contempla espaços de participação social, escuta e construção coletiva, reunindo artistas, produtores, agentes culturais, representantes de instituições e demais interessados no desenvolvimento da cultura em Salvador.
O presidente da FGM, Fernando Guerreiro, destacou que o encontro representa uma oportunidade de avaliar as políticas culturais em conjunto com a sociedade civil. Segundo ele, embora o Plano Municipal de Cultura tenha duração de dez anos, o documento prevê uma reavaliação a cada quatro anos. Por isso, a conferência foi organizada para ampliar o debate público, receber contribuições e identificar possibilidades de aperfeiçoamento das diretrizes.
“Quanto mais conseguirmos mobilizar e trazer essas pessoas para o debate, melhor será o resultado”, afirmou Guerreiro. O presidente também demonstrou expectativa positiva em relação à participação popular e à qualidade das discussões realizadas durante os dois dias de programação.
O diretor de Cidadania da Secult, Chicco Assis, ressaltou a importância do processo de revisão para garantir a continuidade das políticas culturais ao longo das diferentes gestões municipais. “Estamos construindo uma política cultural de longo prazo, capaz de atravessar diferentes gestões e garantir que a cultura de Salvador, um patrimônio tão importante da capital, continue gerando bons frutos”, destacou.
Representante do Conselho Municipal de Política Cultural desde 2024, Rafael Batista também enfatizou a importância de aproximar as discussões dos territórios e dos agentes que movimentam a produção cultural da cidade. Nascido e criado em Cajazeiras, ele considera a conferência um espaço de participação democrática e de acompanhamento das ações desenvolvidas pelo município.“É uma oportunidade para acompanhar o andamento das políticas, apresentar opiniões e participar das decisões”, afirmou.
A participação de representantes das manifestações culturais populares também integra a programação. Valdir Guimarães, presidente da escola de samba É Por Isso que Eu Vou, localizada no bairro do Comércio, destacou o interesse em conhecer iniciativas que possam contribuir para as atividades da agremiação.
“Pretendo observar as novidades e identificar iniciativas interessantes que possamos levar para a quadra da nossa escola de samba”, declarou.
Jota Zô, diretor artístico da escola, ressaltou a importância do incentivo institucional para fortalecer as manifestações culturais da cidade. Segundo ele, as escolas de samba precisam estar inseridas nas discussões sobre políticas públicas, contribuindo para a preservação e a retomada de expressões culturais. “A Fundação Gregório de Mattos tem um papel fundamental para impulsionar nossos ideais, interesses e políticas culturais. As escolas de samba também precisam estar inseridas nesse processo”, pontuou.
Programação – A programação acontece no Quarteirão das Artes Moraes Moreira, que reúne equipamentos como o Espaço Cultural da Barroquinha, o Boca de Brasa Centro, o Café-Teatro Nilda Spencer, o Foyer do Teatro Gregório de Mattos e a Sala Multiuso Nelson Maleiro.
As inscrições foram realizadas entre os dias 19 e 26 de outubro, por meio de formulário on-line, e foram abertas à sociedade civil. Entre os participantes estão artistas, trabalhadores da cultura, produtores, coletivos, grupos culturais, mestres e mestras das culturas populares, tradicionais e periféricas, gestores e demais cidadãos interessados no fortalecimento das políticas públicas municipais.
Os debates e os Grupos de Trabalho (GTs) da conferência estão organizados em seis eixos temáticos, que contemplam as principais diretrizes do Plano Municipal de Cultura. As discussões abordam o fortalecimento institucional e a gestão das políticas públicas; a democratização do acesso à cultura e a participação social, com atenção aos bairros e às periferias; a valorização da identidade, do patrimônio e da memória; a diversidade cultural, com foco nas questões de gênero, raça e acessibilidade; a economia criativa, a geração de trabalho e renda e a sustentabilidade; além do direito às artes e às linguagens digitais, incentivando a criação, a circulação e a difusão das produções artísticas.
Acessibilidade – Durante as atividades, a 7ª Conferência Municipal de Cultura conta com recursos de tradução e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e audiodescrição. As medidas buscam ampliar o acesso à informação e aos debates sobre o futuro das políticas culturais de Salvador, garantindo condições mais inclusivas de participação.
Texto: Fabiane Humildes
Foto: Robson Lopes
SECOM





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