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Sistema Ferry-Boat: Um serviço falido,enquanto o usuário sofre dia após dia

(Nota ITS Feriado de Finados “Considerando o aumento do fluxo de passageiros e veículos, bem como a possibilidade de condições climáticas adversas que possam exigir ajustes na programação das viagens, a empresa recomenda que os usuários planejem seus deslocamentos com antecedência e, sempre que possível, considerem rotas alternativas, como o acesso rodoviário pelas BRs 324 e 101.”)

Visão Cidade cobra providências do Governo da Bahia e questiona a permanência da Internacional Travessias na administração de um sistema que há anos penaliza a população.

O que mais precisa acontecer para que o Governo do Estado da Bahia reconheça que o sistema Ferry-Boat chegou a um nível crítico de funcionamento? Até quando a população baiana continuará pagando o preço de uma administração que, aos olhos de milhares de usuários, demonstra não conseguir atender satisfatoriamente às necessidades de quem depende desse serviço?

A situação chegou a um ponto tão preocupante que a própria Internacional Travessias, empresa responsável pela operação do sistema, divulgou uma orientação à imprensa e à população sugerindo que os usuários utilizem as rodovias BR-324 e BR-101 como alternativas para chegar ao Recôncavo Baiano e à Ilha de Itaparica.

Ora, estamos diante de uma situação que merece uma reflexão profunda. Quando uma empresa concessionária de um serviço essencial orienta seus próprios clientes a buscar caminhos alternativos para chegar ao destino, diante das dificuldades de funcionamento do sistema que administra, é legítimo questionar: qual é, afinal, a capacidade dessa empresa de continuar prestando o serviço para o qual foi contratada?

A recomendação para utilizar as rodovias não resolve o problema. Pelo contrário, expõe a dimensão das dificuldades enfrentadas pelo sistema Ferry-Boat e reforça a necessidade de uma resposta efetiva por parte da empresa e do Governo do Estado.

Há mais de uma década, os usuários convivem com filas quilométricas, longas horas de espera, transtornos nas travessias e incertezas sobre o funcionamento do serviço. São trabalhadores, comerciantes, estudantes, turistas, famílias e moradores da Ilha de Itaparica que precisam reorganizar suas vidas diante de uma realidade que se repete sem que a população enxergue uma solução definitiva.

E agora, diante de mais uma situação de dificuldade, a orientação é utilizar as estradas!

Parabéns, Internacional Travessias, por tornar ainda mais evidente aquilo que os usuários denunciam há anos: o sistema precisa de mudanças profundas, responsabilidade administrativa e respeito à população. Se a empresa não consegue atender às necessidades dos passageiros, está na hora de o Governo do Estado avaliar seriamente a continuidade dessa gestão.

Não se trata de uma crítica gratuita, tampouco de desconhecer as dificuldades operacionais de um sistema dessa dimensão. Trata-se de cobrar resultados, transparência e compromisso com o cidadão. Afinal, administrar um serviço público concedido não significa apenas operar embarcações, mas garantir condições adequadas de funcionamento, planejamento e atendimento aos usuários.

GOVERNO DA BAHIA: ATÉ QUANDO ESSA SITUAÇÃO VAI CONTINUAR?

A postura do Governo do Estado diante dessa realidade também precisa ser questionada.

Ao recomendar que os passageiros utilizem as rodovias, a empresa não apresenta uma solução para os problemas do Ferry-Boat. Apenas aponta uma alternativa de deslocamento que os baianos já conhecem. Quem viaja para a Ilha de Itaparica, para o Recôncavo ou para outras regiões do estado sabe que existem trajetos rodoviários. O que a população espera é que o sistema de transporte marítimo funcione adequadamente.

Por isso, a pergunta que fica é: por que tanta tolerância com uma situação que se arrasta há tantos anos? Por que o Governo do Estado ainda não apresentou à população uma resposta definitiva para os problemas recorrentes do Ferry-Boat?

Governador, a cobrança é direta: o povo precisa de explicações e, principalmente, de providências.

Não basta reconhecer as dificuldades. Não basta divulgar comunicados. Não basta recomendar que o usuário procure outro caminho. É necessário apresentar um plano de ação, estabelecer metas, fiscalizar o cumprimento das obrigações contratuais e responsabilizar quem não estiver entregando o serviço esperado.

A população não pode continuar sendo a parte mais prejudicada dessa relação. O cidadão paga impostos, movimenta a economia, utiliza o transporte e tem o direito de exigir um serviço digno, eficiente e compatível com as necessidades da Bahia.

O Governo do Estado, como responsável pela condução das políticas públicas e pela fiscalização da concessão, precisa demonstrar que os interesses da população estão acima de qualquer conveniência administrativa ou contratual.

QUATRO EMBARCAÇÕES, UMA ÚNICA RAMPA: ONDE ESTÁ O PLANEJAMENTO?

Outro ponto que merece atenção é a estrutura operacional do sistema.

Há questionamentos sobre a utilização de uma única rampa de acesso, ou gaveta de atracação, por quatro embarcações. Também existe a expectativa, conforme informações atribuídas ao Governo do Estado, da chegada de uma nova embarcação.

Diante desse cenário, surge uma pergunta fundamental: se uma quinta embarcação passar a depender da mesma estrutura, como ficará a operação caso essa rampa apresente algum problema ou precise ser interditada?

É evidente que a ampliação da frota, por si só, não garante a melhoria do serviço. É preciso que os investimentos acompanhem as necessidades operacionais, incluindo rampas, gavetas de atracação, manutenção, infraestrutura de apoio e planejamento logístico.

De que adianta ampliar a frota se a estrutura necessária para colocar as embarcações em operação continuar sendo um possível ponto de estrangulamento do sistema?

Se uma falha estrutural puder comprometer simultaneamente várias embarcações, estaremos diante de um risco operacional que precisa ser avaliado preventivamente, e não apenas depois que o problema acontecer.

É justamente esse tipo de planejamento que a população espera de uma empresa responsável por um serviço dessa importância e de um governo que tem o dever de fiscalizar sua execução.

Investir em embarcações sem garantir infraestrutura compatível pode significar ampliar a capacidade apenas no papel, sem assegurar a melhoria efetiva da travessia.

A Bahia precisa de planejamento integrado, investimentos coerentes e transparência sobre os recursos aplicados. O patrimônio público não pode ser tratado sem a devida atenção às necessidades de manutenção, modernização e expansão.

O FERRY-BOAT É PATRIMÔNIO DE INTERESSE PÚBLICO. O POVO MERECE RESPEITO!

É triste constatar que um serviço tão importante para a mobilidade da população continue sendo motivo de reclamações, indignação e insegurança para milhares de passageiros.

A travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica não é um luxo. Para muitos, é parte essencial da rotina. É o caminho para o trabalho, para os negócios, para os estudos, para o atendimento médico e para o reencontro com familiares. O funcionamento adequado do Ferry-Boat também tem impacto direto no turismo, no comércio e na economia de diversas regiões da Bahia.

Por isso, a discussão vai muito além de filas ou atrasos. Estamos falando de mobilidade, desenvolvimento regional, qualidade de vida e respeito aos cidadãos.

A Internacional Travessias precisa explicar quais medidas concretas está adotando para superar as dificuldades operacionais. O Governo do Estado, por sua vez, precisa esclarecer como está fiscalizando a concessionária, quais resultados tem exigido e quais providências pretende tomar para garantir a melhoria do serviço.

A sociedade não pode continuar recebendo justificativas enquanto enfrenta os mesmos problemas. É preciso que os discursos sejam acompanhados de ações verificáveis, prazos e resultados.

Governador, a população não quer apenas saber por que o Ferry-Boat enfrenta dificuldades. Quer saber o que será feito, quando será feito e quem responderá caso as soluções não sejam implementadas.

Se a atual administração não consegue demonstrar capacidade para oferecer um serviço adequado, cabe ao Governo avaliar, dentro das regras contratuais e legais, as medidas necessárias para proteger o interesse público, inclusive a continuidade da concessão.

A pergunta que encerra este editorial é simples, mas necessária: até quando o povo baiano continuará pagando o preço de um sistema que não atende plenamente às suas necessidades?

A Ilha de Itaparica, o Recôncavo Baiano, os trabalhadores, os comerciantes, os turistas e todos os usuários merecem respeito. O patrimônio público exige cuidado. E o serviço público exige responsabilidade.

Não basta administrar o Ferry-Boat. É preciso fazê-lo funcionar com eficiência, planejamento e compromisso com a população.

Chegou a hora de o Governo do Estado sair do campo das justificativas e apresentar respostas concretas. O povo está cansado de esperar. O usuário não pode continuar sendo tratado como se não tivesse alternativa, voz ou direito de cobrar.

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