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O que é coerência e incoerência política?

Nos últimos meses, temos acompanhado nas redes sociais uma verdadeira avalanche de informações relacionadas à política e às eleições. São opiniões, manifestações, pedidos de apoio, críticas e posicionamentos de diferentes pessoas. Algumas publicações têm o objetivo de informar; outras, infelizmente, podem contribuir para a desinformação. Cabe ao cidadão separar aquilo que é fato daquilo que é apenas opinião, interpretação ou tentativa de influenciar a sua decisão.
É justamente nesse cenário que surge uma pergunta importante: o que é coerência e o que é incoerência política?
A coerência política está relacionada à capacidade de manter um posicionamento baseado em princípios, argumentos e convicções, mesmo diante das circunstâncias. Já a incoerência pode aparecer quando alguém muda sucessivamente de discurso ou de posicionamento sem apresentar uma justificativa clara para essa mudança.
É natural que uma pessoa mude de opinião. Afinal, ninguém está impedido de rever seus conceitos depois de conhecer novos fatos, propostas ou informações. O problema está quando a mudança acontece apenas por conveniência, pressão ou interesses que não são apresentados de forma transparente ao eleitor.
Temos observado, nas redes sociais, pessoas que há pouco tempo defendiam publicamente determinado candidato e apresentavam seus argumentos como se aquela fosse uma escolha definitiva. Pouco depois, passam a pedir apoio para outro candidato, muitas vezes sem explicar ao público o que mudou em sua avaliação.
E é exatamente nesse ponto que o eleitor precisa ficar atento.
Não cabe a nós julgar a consciência de cada pessoa, mas cabe ao cidadão observar os discursos, comparar os posicionamentos e perguntar: o que mudou? Por que mudou? Quais são os argumentos apresentados? Existe uma justificativa concreta para essa mudança?
Também é preciso compreender que existem interesses políticos legítimos e diferentes formas de atuação. Uma pessoa pode mudar de apoio por razões ideológicas, programáticas, partidárias ou por uma nova avaliação dos fatos. O eleitor, entretanto, tem o direito de conhecer essas razões e formar sua própria conclusão.
No dia 25 de outubro, no segundo turno das eleições presidenciais, o eleitor terá novamente diante de si uma decisão que deve ser tomada com responsabilidade. E essa decisão não precisa ser baseada simplesmente no que alguém está pedindo nas redes sociais, no que um cabo eleitoral afirma, no que um amigo recomenda ou no que circula em grupos de mensagens.
O voto é pessoal, livre e consciente.
Antes de escolher, procure conhecer os candidatos, suas propostas, seus posicionamentos, seus históricos públicos e as informações que sustentam cada discurso. Não transforme uma publicação de rede social em verdade absoluta. Não compartilhe uma informação apenas porque ela confirma aquilo que você já pensa.
A cidadania exige mais.
Quando o eleitor decide apenas porque alguém mandou, pediu ou tentou convencê-lo sem apresentar argumentos consistentes, ele deixa de exercer plenamente a sua capacidade de análise. A democracia não depende apenas do ato de votar; depende também da qualidade da informação que antecede essa escolha.
Por isso, neste segundo turno, faça uma reflexão simples: não escolha apenas porque alguém escolheu por você. Escolha depois de analisar.
Acompanhe os debates. Conheça as propostas. Verifique as informações. Questione aquilo que parece duvidoso. Compare os discursos. Observe as mudanças de posicionamento. E, acima de tudo, preserve a sua liberdade de consciência.
Não se deixe conduzir por falácias, ataques pessoais ou informações sem comprovação. A política pode e deve ser debatida com firmeza, mas também com responsabilidade, respeito e compromisso com a verdade.
Existe uma velha máxima que merece reflexão: o erro de um dia pode custar quatro anos.
Por isso, antes de apertar a tecla CONFIRMA, pense.
O voto é seu. A consciência é sua. A escolha é sua.
Agir com coerência é assumir a responsabilidade pela própria decisão. E exercer a cidadania é compreender que ninguém deve entregar a outra pessoa o direito de pensar e escolher em seu lugar.
Não seja levado apenas pelo que dizem. Busque compreender.
Não escolha apenas pelo que pedem. Avalie.
Não siga simplesmente a multidão. Pense.
No exercício da democracia, informação, consciência e liberdade caminham juntas.


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