HGI: Paciente em estado grave aguarda regulação há mais de 10 dias até quando a saúde da Bahia vai falhar com a população?

Familiares cobra providências urgentes do Governo do Estado, da Secretaria da Saúde e da Fundação José Silveira diante da demora na transferência de paciente em estado grave.
A saúde pública da Bahia volta a ser colocada em xeque diante de mais um caso que exige respostas, providências imediatas e, acima de tudo, respeito à vida. Um paciente internado no Hospital Geral de Itaparica (HGI), administrado pela Fundação José Silveira, estaria há mais de dez dias aguardando regulação para uma unidade hospitalar em Salvador, sem que, até o momento, a transferência tenha sido efetivada, segundo informações de familiares.
De acordo com os relatos, o estado clínico do paciente inspira cuidados, e a transferência seria necessária com urgência. Enquanto isso, os familiares vivem momentos de angústia, procurando informações repetidamente e recebendo, conforme afirmam, a mesma resposta: o paciente está na tela da regulação, mas não há leito disponível para a transferência.
Diante desse cenário, uma pergunta precisa ser respondida com clareza: quem é responsável por garantir que esse paciente tenha acesso à transferência necessária? A família, que já enfrenta o sofrimento de ter um ente querido em estado grave, ou o poder público e os serviços de saúde responsáveis pela assistência?
É inadmissível que familiares tenham de conviver com a incerteza durante tantos dias, sem uma previsão concreta e sem informações suficientes sobre os encaminhamentos adotados. A ausência de um leito disponível pode representar uma dificuldade real do sistema, mas isso não elimina a obrigação de buscar alternativas, acompanhar o caso e manter a família informada.
A regulação hospitalar, apresentada como um instrumento para organizar o acesso dos pacientes aos serviços de saúde, precisa funcionar de maneira efetiva, especialmente nos casos de urgência. Não basta informar que o paciente está cadastrado no sistema. É necessário esclarecer quais providências estão sendo tomadas, qual é a situação clínica atual, quais alternativas estão sendo consideradas e como será garantida a continuidade da assistência.
Segundo familiares, o paciente estaria sedado e sem condições de suportar a situação por muito mais tempo. Essa informação torna ainda mais urgente a necessidade de uma avaliação médica atualizada e de esclarecimentos objetivos sobre as medidas adotadas pela equipe responsável. Não cabe à família ficar entregue à própria sorte, sem respostas diante de uma situação que envolve a saúde e a vida de uma pessoa.
TELEFONES SEM ATENDIMENTO E FALHAS NA COMUNICAÇÃO
Como se não bastasse a preocupação com a demora na regulação, os familiares também relatam dificuldades para entrar em contato com o Hospital Geral de Itaparica. Segundo eles, os três números telefônicos disponibilizados pela unidade não estariam funcionando, impossibilitando o acesso a informações por esse canal.
A situação levanta outro questionamento: como uma família pode acompanhar o estado de saúde de um paciente internado se os canais de comunicação disponibilizados pelo próprio hospital não oferecem atendimento?
A comunicação entre a unidade de saúde e os familiares não pode ser tratada como algo secundário. Em momentos de gravidade, prestar informações adequadas, respeitando o sigilo médico e as normas aplicáveis, é parte essencial de um atendimento humanizado. O sofrimento de quem espera por notícias não pode ser agravado pela dificuldade de estabelecer contato com a instituição responsável pela assistência.
ASSISTÊNCIA SOCIAL: FAMÍLIA RELATA AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO
Outro episódio relatado ocorreu na manhã desta quarta-feira, 14 de outubro. Segundo informações recebidas pela redação do Visão Cidade, um acompanhante, parente da família do paciente, esteve no setor de assistência social do HGI para solicitar um relatório.
Ao chegar ao local por volta das 11h, não teria encontrado nenhum profissional disponível. Conforme o relato, a orientação recebida foi de que retornasse às 14h, pois os responsáveis pelo setor haviam saído para o almoço.
Se confirmada, a situação exige esclarecimentos da administração hospitalar. É necessário informar se havia cobertura adequada do serviço naquele horário e quais procedimentos são adotados para atender familiares que precisam de documentos e orientações relacionadas a pacientes internados.
Não se trata de ignorar o direito dos trabalhadores ao intervalo para alimentação, mas de cobrar organização e continuidade do atendimento. Um serviço hospitalar precisa ter condições de acolher as demandas essenciais da população, inclusive quando determinado profissional está em seu horário de descanso.
DE QUEM É A RESPONSABILIDADE?
É preciso esclarecer as atribuições de cada instituição. O Hospital Geral de Itaparica integra a rede estadual de saúde e é administrado pela Fundação José Silveira. A regulação e a disponibilização de leitos dependem da organização da rede de saúde e das autoridades competentes, conforme os fluxos assistenciais e as responsabilidades de cada serviço.
Portanto, não se pode simplesmente transferir para as prefeituras de Vera Cruz ou de Itaparica a responsabilidade por uma vaga hospitalar na rede estadual. Cabe às autoridades esclarecer, de forma transparente, quais são as responsabilidades de cada ente e quais medidas estão sendo tomadas para solucionar o caso.
O que não pode acontecer é o paciente permanecer à espera, enquanto as instituições envolvidas deixam de apresentar respostas claras à família e à sociedade.
E este não é, segundo relatos recebidos pela redação, o primeiro episódio de dificuldades dessa natureza envolvendo o HGI. Se existem ocorrências semelhantes, é necessário que sejam apuradas, que os problemas sejam identificados e que providências concretas sejam adotadas para impedir que situações como essa se repitam.
VISÃO CIDADE TENTOU OUVIR O HOSPITAL
Em respeito ao compromisso com a informação responsável, a redação do Visão Cidade tentou entrar em contato telefônico com o Hospital Geral de Itaparica por meio dos três números disponibilizados pela unidade, mas não obteve êxito. Também buscou contato com o setor de comunicação da Fundação José Silveira, sem sucesso até o fechamento deste texto.
A imprensa tem o dever de questionar, investigar e cobrar respostas. Da mesma forma, as instituições públicas e privadas que prestam serviços de interesse público precisam manter canais de comunicação acessíveis e oferecer esclarecimentos à sociedade.
O espaço permanece aberto para que a Fundação José Silveira, a direção do HGI, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e o Governo do Estado apresentem suas versões e informem as providências adotadas.
UMA VIDA NÃO PODE ESPERAR INDEFINIDAMENTE
Diante dos fatos relatados, o Visão Cidade faz um apelo e, ao mesmo tempo, uma cobrança pública: que as autoridades competentes verifiquem imediatamente a situação clínica do paciente, esclareçam o andamento da regulação e adotem as medidas cabíveis para garantir a assistência necessária.
A família precisa de respostas. A população precisa de atendimento digno. E o paciente precisa ter seu caso tratado com a urgência que a condição clínica exige.
Governar também significa assegurar que os serviços essenciais funcionem. Administrar um hospital exige responsabilidade, organização, transparência e compromisso com a vida. Quando surgem denúncias de demora na transferência, falhas de comunicação e dificuldades de atendimento aos familiares, não basta o silêncio: é preciso apurar, explicar e agir.
Fica a pergunta ao Governo do Estado da Bahia, à Secretaria da Saúde e à Fundação José Silveira: quantos dias mais uma família terá de esperar por respostas enquanto um paciente em estado grave aguarda uma vaga?
Não se trata de disputa política, tampouco de buscar culpados antes da apuração. Trata-se de defender o direito à saúde, cobrar responsabilidade e impedir que a burocracia se sobreponha à urgência de um ser humano.
A vida precisa estar acima de qualquer entrave administrativo.
Com a palavra, a Fundação José Silveira. Com a palavra, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. Com a palavra, o governador da Bahia.
A família espera uma resposta. A sociedade também.
Visão Cidade — O nosso compromisso é com você.



