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Faróis de Salvador unem história, navegação e turismo

“Quando o sol se põe, vem o farol iluminar as águas da Bahia”, já dizia a canção composta por Caetano Veloso em parceria com Luiz Galvão. Décadas depois, os faróis da capital baiana continuam clareando a costa com luz viva, inspirando soteropolitanos e encantando turistas de todas as partes do mundo.

Dando continuidade à série “Lentes da História”, a Câmara Municipal de Salvador – através das lentes dos fotógrafos Antonio Queirós e Reginaldo Ipê e com reportagem da jornalista Fernanda Chagas – destaca como o Farol da Barra, o Farol de Itapuã e o Farol do Humaitá cumprem um papel duplo: continuam essenciais para a navegação marítima e figuram como gigantes do patrimônio cultural e turístico soteropolitano. Os três principais faróis da cidade são administrados pela Marinha do Brasil.

Farol da Barra: história, imponência e panorama único

Localizado no Forte de Santo Antônio da Barra, o Farol da Barra é um dos mais antigos das Américas. Com estrutura atual datada de 1839, ostenta o título de segundo ponto turístico mais fotografado do Brasil, atrás apenas do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

A qualquer hora do dia, a beleza do mar da Barra que circunda o farol divide espaço com a imponência de suas muralhas de pedra, cujo encantamento ganha profundidade histórica.

Sua torre tem 22 metros de altura e é aberta à visitação. No interior do complexo, funciona o Museu Náutico da Bahia, que oferece uma vista panorâmica espetacular da Baía de Todos-os-Santos e do Oceano Atlântico. Entre corredores e acervos seculares, os visitantes buscam o melhor ângulo para registrar a experiência.

“Gostei bastante de conhecer, mas queria ter tido mais tempo para aproveitar tudo. Tem muita coisa interessante para ver e, com certeza, quero voltar com mais calma”, revelou Anderson Monteiro, turista do Rio de Janeiro.

“O Museu Náutico da Bahia é um lugar incrível que reúne história, cultura e beleza em um só espaço. A visita é uma verdadeira viagem ao passado, permitindo tanto conhecer mais sobre a nossa história quanto aprender algo novo”, descreveu Alice Matos, de Santa Catarina.

Farol de Itapuã: poesia, mar e bossa nova

Quem segue em direção ao norte da cidade encontra no Farol de Itapuã um cenário diferente, mas igualmente apaixonante. Com 21 metros de altura, erguido há mais de 150 anos sobre uma base de alvenaria na Pedra Piraboca (Ponta de Itapuã), o monumento foi o quinto farol construído na Bahia para guiar as embarcações que navegavam pela região.

Diferentemente do Farol da Barra, a estrutura interna de Itapuã não é aberta ao público. No entanto, é possível apreciá-lo e fotografá-lo de perto em caminhadas pela praia ou pelo calçadão da orla. O local foi imortalizado na literatura e na música por mestres como Dorival Caymmi, Vinicius de Moraes e Toquinho, transformando a região em símbolo da poesia e da boemia baiana com clássicos como “Tarde em Itapuã” e “Saudade de Itapoã”.

“Passar uma tarde em Itapuã é entender perfeitamente a filosofia de Dorival Caymmi. Minha visita ao farol foi exatamente como a música manda: tranquila, com o tempo correndo sem pressa e a mente em paz. Diante desse mar e dessa estrutura icônica, a gente lembra que ‘é doce morrer no mar’ de calmaria que a Bahia oferece. Deixei o relógio de lado para apenas sentir o vento. Foi um momento de calmaria que renova a alma”, evidenciou Maria Eduarda, soteropolitana que visitava o ponto turístico pela primeira vez.

“Fui esperando uma praia comum e me deparei com um lugar maravilhoso. Eu precisava muito de um momento assim; é lindo demais! O farol e as piscinas naturais que se formam entre as rochas são incríveis. No dia em que fui, a praia estava com bandeira vermelha, mas isso não impediu de apreciar a paisagem. Peguei um dia tranquilo, de paz indescritível. Virou meu lugar favorito em Salvador”, declarou Ivana Figueiredo, de São Paulo.

Farol do Humaitá: romantismo e pôr do sol na baía

Localizado na Ponta do Humaitá (também conhecido por sua proximidade com o Monte Serrat), o Farol do Humaitá foi inaugurado em 1935. É o menor da cidade, com 10 metros de altura, mas possui uma característica única: é o único erguido diretamente dentro das águas da Baía de Todos-os-Santos.

O monumento integra um dos mais importantes complexos arquitetônicos do país, que reúne o Forte e a Capela de Nossa Senhora de Monte Serrat, um antigo monastério e casarões coloniais do século XVI que guardam capítulos marcantes da história do Brasil.

Conhecido carinhosamente como “Farol dos Namorados”, o local é ponto de encontro de casais de todas as idades devido ao clima romântico e à fama de ter um dos pores do sol mais bonitos do país. O espaço também abriga manifestações religiosas e culturais: no dia 8 de março, a Ponta do Humaitá recebe a festividade do Presente de Iemanjá de Humaitá, quando devotos levam oferendas e pedidos à rainha das águas.

“Visitar o Farol de Monte Serrat é um passeio obrigatório. O visual da Baía de Todos-os-Santos é deslumbrante e a energia no fim da tarde é mágica. O complexo histórico, com o forte e a igrejinha, rende fotos incríveis. É um lugar super poético, bucólico e cheio de paz”, destacou André Andrade, de Itabuna.

CÂMARA MUNICIPAL DE SALVADOR 

Foto: Reginaldo Ipê

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