Notícias

Os votos, as pesquisas e a matemática: uma ciência exata?

A pesquisa pode apontar tendências. A urna, porém, entrega o resultado.
A matemática é uma ciência exata. Pelo menos é assim que aprendemos. Dois mais dois são quatro, e ponto final. Mas, quando entramos no terreno das pesquisas eleitorais, parece que essa exatidão ganha novos caminhos.
É aí que começa a pergunta que muita gente faz: afinal, onde está a matemática quando os números apresentados em uma pesquisa não fecham exatamente os 100%?
Vejamos um exemplo hipotético: candidato A aparece com 43%; candidato B, com 37%; candidato C, com 3%; brancos e nulos, 14%; e os que não sabem ou não responderam, 2%. A soma chega a 99%.
E onde está o 1%?
A resposta pode estar nos arredondamentos utilizados na apresentação dos percentuais. Em pesquisas, os números representam estimativas de uma amostra da população e podem sofrer pequenas variações de arredondamento. Portanto, nem sempre uma diferença de um ponto significa que existe uma fraude ou um erro na pesquisa.
Mas a questão editorial permanece: até que ponto o eleitor compreende que pesquisa não é resultado de eleição?
Essa talvez seja a pergunta mais importante.
Pesquisa eleitoral é fotografia de um determinado momento. A urna é o instante em que essa fotografia deixa de ser estimativa e passa a ser realidade.
Pode haver pesquisa antes da eleição, pode haver uma, duas, dez ou vinte pesquisas. Podem existir números diferentes, institutos diferentes e metodologias diferentes. O eleitor pode concordar ou discordar dos resultados apresentados.
Mas existe uma matemática que não trabalha com tendência, projeção ou margem de erro: a matemática dos votos depositados nas urnas e apurados pela Justiça Eleitoral.
É ali que os números precisam fechar.
É ali que 100% é 100%.
No dia 4 de outubro, cada eleitor terá a oportunidade de transformar sua escolha em voto. E cada voto fará parte de uma soma que determinará os resultados para presidente, governador, senador e deputados, conforme as regras eleitorais aplicáveis a cada cargo.
Para presidente e governador, vence a disputa aquele que alcançar os critérios previstos na legislação eleitoral, inclusive a possibilidade de segundo turno. Para senador, a escolha é majoritária. Para deputados federais e estaduais, aplica-se o sistema proporcional, em que os votos do eleitorado são considerados dentro das regras de distribuição de cadeiras.
Ou seja: a matemática eleitoral não termina na pesquisa. Ela começa a revelar seu resultado definitivo quando os votos são apurados.
E existe outro número que nenhuma pesquisa consegue substituir: o número da consciência de cada eleitor.
Não estamos falando apenas de percentual. Estamos falando de responsabilidade.
O eleitor não deve transformar uma pesquisa em ordem de voto, assim como não deveria transformar promessa de campanha em dívida pessoal com candidato algum.
Política pública não é favor.
Serviço público não é presente.
Obra pública não deveria ser apresentada como propriedade particular de quem ocupa temporariamente um cargo.
Governar, legislar e representar são funções públicas e devem ser exercidas em benefício da sociedade.
Por isso, mais importante do que perguntar quem está na frente de uma pesquisa talvez seja perguntar: quem está preparado para decidir conscientemente o seu voto?
A verdadeira identidade eleitoral nasce quando o eleitor deixa de escolher apenas pelo que ouviu, pelo que recebeu, pelo que lhe prometeram ou pelo percentual apresentado em uma pesquisa.
Pesquisa passa.
Campanha passa.
Discurso passa.
O voto, porém, produz consequência.

E, depois que as urnas forem fechadas e os votos forem contabilizados, não haverá arredondamento capaz de mudar aquilo que foi efetivamente escolhido pelo eleitorado.
A matemática das pesquisas pode trabalhar com estimativas.
A matemática das urnas trabalha com votos.
E, no final, não será 99%, 98% ou 101%.
Será o resultado que os votos produzirem.
Por isso, eleitor, não venda seu voto. Não permita que uma promessa compre sua consciência. Não transforme obrigação de quem exerce função pública em favor pessoal.
Faça sua escolha de maneira livre, consciente e responsável.
Porque a maior pesquisa não está nas telas.
A maior pesquisa está na urna.
E essa pesquisa não pergunta em quem você pretende votar.
Ela simplesmente registra em quem você decidiu votar.


Visão Cidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *