Lanchas e Ferry-Boat: Uma ‘pedra no sapato’ dos usuários que exige solução
Até quando o usuário do transporte hidroviário da Bahia terá que conviver com problemas que se repetem e soluções que nunca chegam?
A travessia entre Salvador e Vera Cruz é fundamental para milhares de pessoas que dependem diariamente desse sistema para trabalhar, estudar, buscar atendimento médico, resolver seus compromissos ou simplesmente se deslocar entre a capital e a Ilha de Itaparica.
De um lado, estão as lanchas que fazem a travessia Salvador–Mar Grande. De outro, o sistema Ferry-Boat, responsável pelo transporte de passageiros e veículos entre Salvador e Bom Despacho. São dois serviços diferentes, mas que têm algo em comum: o cidadão paga e, portanto, tem o direito de exigir segurança, qualidade, conforto, limpeza, regularidade e respeito.
No caso das lanchas, uma questão merece atenção especial: a modernização da frota.
É fato que a travessia por lancha representa, para muitos passageiros, uma alternativa mais rápida. Mas também é fato que as condições meteorológicas podem provocar a suspensão da navegação. A própria Capitania dos Portos da Bahia estabelece parâmetros de segurança e prevê a suspensão da travessia Salvador–Mar Grande quando as condições meteoceanográficas forem consideradas desfavoráveis.
E aqui está uma pergunta que precisa ser respondida pelas autoridades responsáveis:
Por que não avançar de maneira mais efetiva na modernização dessas embarcações?
A população precisa saber quais são as exigências feitas às empresas, quais investimentos estão previstos, quais prazos foram estabelecidos e o que efetivamente foi cumprido.
Não basta fiscalizar quando surge um problema. É preciso prevenir o problema.
Se existem compromissos, termos, contratos ou determinações estabelecendo melhorias na prestação do serviço, a população tem o direito de saber: o que foi cumprido, o que está pendente e por que ainda não foi realizado?
E o Ferry-Boat?
A situação do sistema Ferry-Boat também exige uma discussão séria.
Documentos oficiais do próprio Estado já registraram a redução da frota operacional e apontaram que algumas embarcações possuem mais de 40 anos de uso, além da necessidade de substituição e modernização.
Mais recentemente, o Governo da Bahia abriu estudos e procedimentos para reforçar a frota, inclusive com previsão de aquisição de embarcação para substituir os ferries Agenor Gordilho e Juracy Magalhães.
Isso demonstra que o problema não é novo.
Mas a pergunta continua sendo:
E o usuário, como fica enquanto as soluções não chegam?
Filas, espera, embarques demorados, dificuldades de acesso, manutenção, condições dos terminais e questões relacionadas à limpeza e ao conforto são reclamações que precisam ser tratadas com seriedade.
E não estamos falando apenas de “usuários”.
Estamos falando de clientes.
São pessoas que pagam uma tarifa para utilizar um serviço público concedido e regulado. A própria AGERBA informa que atua na regulação, controle e fiscalização do sistema Ferry-Boat e do transporte hidroviário intermunicipal de passageiros.
Portanto, quando o cidadão reclama, sua reclamação não pode simplesmente desaparecer em algum protocolo.
Ela precisa gerar fiscalização, resposta e solução.
O Governo precisa agir antes que o problema se torne irreversível
O transporte hidroviário não pode ser tratado como uma questão secundária.
A Ilha de Itaparica cresce, Vera Cruz cresce, o fluxo entre a Ilha e Salvador cresce e a necessidade de mobilidade também aumenta.
Ao mesmo tempo, existe um projeto de grande dimensão para a construção da Ponte Salvador–Itaparica, cuja conexão na Ilha está prevista para a região da Gameleira e cuja conclusão contratual está atualmente prevista para junho de 2031.
Mas uma coisa não pode justificar a outra.
A existência de um grande projeto para o futuro não pode servir como justificativa para deixar de cuidar do transporte que existe hoje.
Até que a ponte esteja pronta e funcionando, milhares de pessoas continuarão dependendo das lanchas e do Ferry-Boat.
E mesmo depois da ponte, o transporte hidroviário continuará tendo importância estratégica para a mobilidade da Baía de Todos-os-Santos.
Por isso, fica a cobrança:
Onde estão os investimentos?
Onde está a modernização?
Onde está a fiscalização efetiva?
Onde estão as respostas para as reclamações dos passageiros?
E, principalmente:
Qual é o planejamento do Governo do Estado para garantir um transporte hidroviário seguro, moderno, digno e compatível com as necessidades da população?
Não se trata de procurar culpados.
Trata-se de procurar soluções.
A AGERBA possui inclusive canais oficiais para receber e acompanhar reclamações dos usuários dos serviços regulados.
Então, que as reclamações sejam ouvidas.
Que sejam fiscalizadas.
Que sejam respondidas.
E, acima de tudo, que sejam solucionadas.
Porque transporte público de qualidade não é favor.
É direito de quem paga. É dever de quem administra. E é responsabilidade de quem fiscaliza.
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