Nove anos da tragédia na Baía de Todos-os-Santos: Vidas perdidas, famílias marcadas e perguntas que permanecem
Há nove anos, a Baía de Todos-os-Santos foi palco de uma das maiores tragédias marítimas da história recente da Bahia. Na manhã de 24 de agosto de 2017, a lancha Cavalo Marinho I naufragou nas proximidades de Mar Grande, em Vera Cruz, deixando 19 pessoas mortas e provocando profundas marcas em centenas de famílias da Ilha de Itaparica e de toda a Bahia.
Passados nove anos, a dor permanece. As famílias que perderam seus entes queridos jamais poderão recuperar aquilo que lhes foi tirado: vidas, histórias, sonhos e projetos interrompidos de forma trágica.
Mas uma pergunta continua sendo necessária: o que realmente mudou na segurança do transporte marítimo entre Mar Grande e Salvador nesses nove anos?
A travessia é essencial para milhares de pessoas que diariamente precisam se deslocar entre a Ilha de Itaparica e Salvador. Por isso, discutir a segurança desse serviço não é apenas uma questão de transporte, mas de preservação da vida.
Ainda existem questionamentos sobre as condições das embarcações, os procedimentos de segurança, a fiscalização, a suspensão das travessias em períodos de mau tempo e a capacidade de resposta diante de situações de risco. Quando as condições climáticas se tornam adversas, a suspensão do serviço é uma medida preventiva importante. Porém, é legítimo perguntar: quais outras medidas permanentes estão sendo adotadas para tornar essa travessia cada vez mais segura?
O que cabe ao Governo do Estado? O que cabe à Capitania dos Portos? O que cabe às empresas responsáveis pelo transporte? E, principalmente, quais são as ações concretas para evitar que uma tragédia como a de 2017 volte a acontecer?
Ao longo desses nove anos, houve investigações, processos judiciais e responsabilizações. Entretanto, nenhuma decisão, nenhuma penalidade e nenhuma condenação será capaz de devolver as 19 vidas perdidas naquela manhã.
A justiça é necessária, não apenas como resposta às famílias, mas também como instrumento para que responsabilidades sejam apuradas e para que erros sejam corrigidos. É preciso transformar a dor daquela tragédia em ações concretas de prevenção, fiscalização, segurança e melhoria do serviço.
Também é necessário ouvir os usuários. Reclamações sobre a travessia entre Mar Grande e Salvador continuam surgindo e não podem ser ignoradas. Melhorar o transporte marítimo significa oferecer mais segurança, qualidade, regularidade e respeito a todos aqueles que dependem diariamente desse serviço.
A tragédia da Cavalo Marinho I não pode ser lembrada apenas uma vez por ano. Ela precisa permanecer na memória como um alerta permanente de que a vida humana deve estar acima de qualquer interesse operacional ou econômico.
Neste 24 de agosto, o Visão Cidade se solidariza com todas as famílias que perderam seus entes queridos naquela manhã de 2017. Que Deus conforte cada familiar e todos aqueles que ainda carregam as marcas dessa tragédia.
Nove anos depois, a pergunta continua no ar: o que foi feito, o que precisa ser feito e o que será feito para que uma tragédia como aquela jamais volte a acontecer?
A palavra está com as autoridades competentes.
Visão Cidade


