Projeto do deputado Jorge Araújo reconhece riscos e busca aposentadoria especial para jornalistas e comunicadores
Proposta do deputado federal Jorge Araújo (PP) visa proteger profissionais da linha de frente e bastidores, garantindo contagem de tempo diferenciada diante da exposição constante a agentes nocivos e situações de perigo.
Quem informa o Brasil vive, diariamente, no olho do furacão. Entre conflitos armados, operações policiais de alto risco, desastres naturais e epidemias, jornalistas, repórteres fotográficos, cinegrafistas e produtores colocam a própria integridade física e mental à prova para garantir o direito da sociedade à informação.
Reconhecendo a lacuna histórica na legislação previdenciária brasileira, o deputado federal baiano Jorge Araújo (PP) apresentou um projeto de lei que promete ser um divisor de águas para a categoria: a instituição da aposentadoria especial para jornalistas e comunicadores.
A proposta não diferencia apenas quem aparece na tela. O texto abrange toda a engrenagem que sustenta o jornalismo, incluindo profissionais que atuam nos bastidores e que estão igualmente expostos a ambientes insalubres e situações de risco constante. “A atividade jornalística expõe seus profissionais a riscos concretos e permanentes. O Brasil é um dos países com maiores índices de violência contra jornalistas na América Latina, com casos de agressões, sequestros e doenças ocupacionais registrados anualmente”, justificou o deputado.
O projeto propõe um critério baseado no grau de exposição a agentes nocivos, permitindo que o profissional se aposente mais cedo conforme o nível de periculosidade da sua rotina laboral. A estrutura prevê:
25 anos de contribuição: Para casos de exposição permanente em grau máximo.
28 anos de contribuição: Para exposição em grau médio.
30 anos de contribuição: Para situações classificadas como grau mínimo.
Para ter direito, o profissional precisará ser segurado do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), comprovar o exercício habitual das atividades em condições especiais e possuir o devido registro profissional.
O projeto, além de uma medida técnica de previdência, funciona como um reconhecimento social da relevância e do custo humano da profissão. Em um cenário onde a desinformação cresce, garantir condições dignas de aposentadoria para quem arrisca a vida em campo é um passo fundamental para fortalecer a democracia.
A proposta agora segue para tramitação na Câmara dos Deputados. Caso aprovada, o texto ainda passará pelo Senado Federal antes de seguir para possível sanção presidencial.
Aacom


