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O mar e o tempo

Às vezes olhamos para o mar e vemos apenas a sua superfície: calma, serena, parecendo que nada ali se move, que nenhuma tempestade habita o seu interior. Mas não se engane — não é porque a água está quieta lá em cima que nas profundezas não haja correntes fortes, redemoinhos, lembranças e sentimentos que se agitam sem parar. O mar aprendeu a guardar a sua dor no fundo, mostrando ao mundo apenas o que ele suporta ver.

O vento sopra, traz e leva — assim como o tempo. Ele passa devagar, mas passa com toda a força que só ele tem. O tempo é quem cura o que parece incurável, quem acalma o que parece impossível de sossegar, quem separa o que não é verdade e une o que tem que permanecer. Ele leva, sim: leva dores, leva ilusões, leva o que não veio para ficar. Mas ele também traz de volta: traz a paz que parecia perdida, traz a verdade que estava escondida, traz a certeza de que cada coisa tem o seu momento.

Porque o tempo sabe de tudo. Ele conhece cada canto do coração, cada segredo da alma, cada natureza humana — sabe quem é de verdade e quem só aparece quando o sol brilha. Ele não erra, não se apressa e não falha. Ele conduz, mas também restitui. Ele deixa o mar se revoltar lá no fundo, mas também sabe a hora exata de fazer a superfície brilhar novamente, limpa e serena, como só quem passou por tempestades consegue ser.

E um dia, quando menos esperar, você verá: assim como o mar encontra o seu equilíbrio, a sua vida também encontrará o seu. Porque o tempo, que conhece tudo, já está cuidando de cada detalhe que você não pode ver.

Bárbara Amorim

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