Ferryes e lanchas exigem mais atenção do Governo do Estado da Bahia
Até quando os moradores dos municípios de Vera Cruz e Itaparica, na Ilha de Itaparica, além dos milhares de usuários do sistema Ferry-Boat, na travessia Salvador–Bom Despacho, e das lanchas da linha Salvador–Mar Grande, continuarão enfrentando tantos transtornos? A essa realidade somam-se ainda passageiros de diversos municípios do Recôncavo, do Sul e do Baixo Sul da Bahia, que dependem diariamente desses meios de transporte.
Neste período de fortes chuvas, ventos intensos e mar agitado, a situação torna-se ainda mais preocupante. Por questões de segurança, a Marinha do Brasil frequentemente recomenda a suspensão da travessia das lanchas. Nesta semana, o sistema Ferry-Boat também sofreu restrições, operando com número reduzido de embarcações devido às condições adversas de navegabilidade. O resultado foi uma série de prejuízos para milhares de passageiros.
Os transtornos vão muito além do atraso nas viagens. Muitas pessoas deixam de comparecer a consultas médicas, realizar exames, frequentar escolas, universidades, resolver compromissos profissionais e acessar serviços públicos disponíveis apenas em Salvador. A interrupção ou redução das viagens afeta diretamente a rotina e a qualidade de vida da população.
É verdade que alguns passageiros enxergam a travessia com o mar agitado como uma aventura. Porém, para a maioria, o sentimento é de insegurança e medo. Esse receio é compreensível, principalmente porque permanece viva na memória dos baianos a tragédia envolvendo uma lancha na Baía de Todos-os-Santos, acidente que provocou a morte de 19 pessoas e deixou profundas marcas em centenas de famílias.
No caso do sistema Ferry-Boat, os problemas não se resumem às condições climáticas. Há constantes reclamações sobre a falta de manutenção das embarcações, sanitários sem condições de uso, problemas elétricos, assentos danificados, limpeza precária e o abandono dos terminais de São Joaquim e Bom Despacho. Embora a operação seja realizada por empresas concessionárias, os equipamentos pertencem ao Governo do Estado, que tem o dever de fiscalizar e exigir um serviço de qualidade.
Transportar vidas exige responsabilidade máxima. Tanto as empresas operadoras quanto os órgãos responsáveis pela fiscalização, como a AGERBA e a Capitania dos Portos, precisam atuar com ainda mais rigor para garantir segurança, conforto e eficiência aos passageiros. A prevenção deve ser prioridade, e não apenas uma medida adotada após situações de risco.
Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: o que falta para que o Governo do Estado adote providências mais firmes e definitivas para melhorar os sistemas Ferry-Boat e Salvador–Mar Grande? Não se trata apenas de transporte, mas da preservação de vidas humanas.
Ao mesmo tempo, muito se fala sobre a futura Ponte Salvador–Itaparica. Quando ela estiver concluída, qual será o destino do sistema Ferry-Boat e da travessia Salvador–Mar Grande? Haverá investimentos em embarcações mais modernas, rápidas, confortáveis e seguras ou esses serviços caminharão para se tornar apenas parte da história?
A população espera respostas e, acima de tudo, ações concretas. A segurança de milhares de passageiros não pode continuar em segundo plano.
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