Antes, tudo como contexto de sempre nos períodos festivos
Entra ano, sai ano, e nos períodos festivos — como Natal, Réveillon, São João e grandes feriados prolongados — os problemas no sistema de transporte da Bahia continuam os mesmos. A falta de planejamento e de logística por parte dos órgãos responsáveis por terminais e sistemas de transporte segue causando transtornos à população, que enfrenta longas filas, horas de espera e um atendimento muito aquém do esperado.
O mais preocupante é que os serviços não são gratuitos. Os usuários pagam caro para utilizar sistemas que, em muitos momentos, não conseguem oferecer conforto, eficiência e respeito ao cidadão. Em vez de serem tratados como clientes, muitos passageiros acabam sendo vistos apenas como números dentro de uma operação que demonstra falhas há décadas.
Vamos começar pelo sistema ferry-boat. A cada grande movimento, repetem-se as reclamações. Relatos de usuários apontam que pessoas chegaram às filas ainda durante a madrugada e, às 10h30 da manhã, sequer haviam embarcado. Enquanto a empresa responsável informa tempos médios de espera entre duas e três horas, a realidade vivida por muitos passageiros é bastante diferente, com esperas que ultrapassam quatro, cinco e até seis horas.
Somando o tempo para chegar às catracas, o período de embarque e a travessia, uma viagem pode facilmente consumir entre seis e oito horas. Viajar de ferry-boat em períodos como o São João tornou-se um verdadeiro teste de paciência.
O problema não está na existência do sistema, que é fundamental para a mobilidade entre Salvador e a Ilha de Itaparica. O que a população cobra é eficiência operacional. Não é aceitável que, em um período em que a própria empresa prevê a movimentação de mais de 200 mil passageiros, a estrutura não esteja preparada para atender adequadamente essa demanda. Em muitos momentos, apenas três embarcações operam durante um dos períodos de maior movimento do ano.
Enquanto isso, o Governo do Estado parece assistir ao problema sem apresentar soluções definitivas para um serviço que há muito tempo demonstra sinais de saturação.
A situação das lanchas da travessia Salvador-Mar Grande também merece atenção. Frequentemente, as operações são suspensas devido aos ventos fortes e às condições adversas do mar. Nesses casos, a atuação da Capitania dos Portos é necessária para preservar vidas. Embora a população muitas vezes não compreenda as interrupções, a segurança deve estar sempre acima de qualquer interesse operacional.
Outro tema que chamou atenção nos últimos dias foi o primeiro grande teste da nova rodoviária de Salvador, localizada em Águas Claras. Houve um aspecto positivo: a região da antiga rodoviária registrou melhoria significativa na fluidez do trânsito, reduzindo congestionamentos históricos.
Entretanto, ao chegar às proximidades da nova estação, a realidade muda completamente. O trânsito na BR-324 tornou-se intenso, com longos congestionamentos. Apesar da ampla estrutura física do novo terminal, motoristas relatam dificuldades para entrar e sair do local. Em alguns casos, após desembarcar passageiros, os veículos levam entre 25 e 40 minutos para deixar a área.
Surge então uma pergunta: de quem é a responsabilidade pela organização desse fluxo? Da empresa administradora do terminal? Da Transalvador? Da Polícia Rodoviária Federal? É evidente que cada órgão possui atribuições específicas, mas o que a população espera é uma atuação integrada e eficiente.
Os congestionamentos apenas mudaram de endereço. O problema saiu da antiga rodoviária e foi transferido para uma nova região da cidade. Fica evidente a necessidade de um plano conjunto envolvendo todos os órgãos responsáveis para garantir melhor ordenamento do trânsito e mais fluidez no acesso ao terminal.
O Governo do Estado apresentou a nova rodoviária como uma estrutura moderna, comparável aos melhores aeroportos do país. Contudo, nesse quesito de organização e mobilidade, o primeiro grande teste revelou falhas importantes.
É verdade que este foi o primeiro grande período de operação da nova estação rodoviária. Por isso mesmo, ainda há tempo para corrigir erros, aperfeiçoar processos e oferecer à população um serviço compatível com a grandiosidade da obra.
Afinal, o cidadão não espera apenas obras modernas. Espera, acima de tudo, eficiência, respeito e qualidade nos serviços que utiliza.
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