Farmácia do Hospital Ernesto Simões Filho é uma lástima: povo espera atendimento sob sol e chuva

O povo baiano enfrenta, a cada dia, dificuldades extremas na área da saúde pública. A redação do Visão Cidade foi convidada por usuários da farmácia do Hospital Ernesto Simões Filho para verificar a situação enfrentada pela população no local. O cenário encontrado é dramático e revoltante.

Pessoas chegaram à farmácia por volta das 5h e 6h da manhã e, no momento em que esta matéria estava sendo redigida, às 12h54, muitas delas ainda não haviam sido atendidas. Um verdadeiro descaso com quem já sofre pela doença e pela necessidade de buscar medicamentos gratuitos, mas essenciais para a própria sobrevivência.
O povo permanece em filas intermináveis, exposto ao sol e à chuva, sem qualquer previsão de atendimento. O mais revoltante é que, ao questionarem funcionários sobre a demora, a resposta recebida foi direta: “Não temos funcionários. Procurem a Ouvidoria do Estado para reclamar e pedir mais servidores.”
É impressionante a transferência de responsabilidade. Pessoas que estão ali para prestar atendimento, remuneradas com recursos públicos pagos pela própria população, respondem ao sofrimento do cidadão dessa forma. Uma situação lamentável.
A pergunta que fica é: por que atender tão mal justamente aqueles que pagam os salários através dos impostos? Mais de 200 pessoas aguardavam apenas para retirar seus medicamentos, muitas delas debilitadas, vindas do interior do estado, de Salvador e de outras unidades hospitalares.
Pacientes relataram esperar duas, três, quatro e até cinco horas para conseguir pegar um simples medicamento, enfrentando um atendimento considerado de baixíssima qualidade.
A equipe do Visão Cidade esteve no local para verificar as denúncias feitas à redação e constatou uma situação constrangedora e vexatória. O que se vê é um cenário de sofrimento e desrespeito com a população baiana.
Segundo informações passadas por pessoas que se apresentaram como responsáveis pela farmácia, o problema estaria relacionado à mudança do sistema e à necessidade de recadastramento dos pacientes. Mas fica um questionamento: quando um sistema é atualizado, os dados dos pacientes não deveriam ser migrados automaticamente?
É difícil compreender como uma farmácia que atende pacientes do próprio Hospital Ernesto Simões Filho, do Hospital Otávio Mangabeira e de outras unidades estaduais possa funcionar em condições tão precárias.
A revolta da população é grande. Muitos pacientes relataram estar desde as primeiras horas da manhã aguardando atendimento, sem sequer conseguir retirar seus medicamentos. Segundo alguns relatos, pessoas permaneceriam no local até às 20h.
Após diversos usuários se exaltarem e cobrarem providências da gerência — ou da falta dela — uma senhora apareceu para dar explicações. No entanto, repetiu exatamente o que os demais funcionários já haviam informado: falta de funcionários, sistema instável e recadastramento dos pacientes.
A mulher, que não quis se identificar e estava sem qualquer identificação funcional, orientou que a população procurasse a Ouvidoria do Estado para registrar reclamações.
Mais uma vez surge a pergunta: esse realmente seria o caminho? Ou seria mais razoável que a própria administração da farmácia e do hospital solicitasse à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia reforço de funcionários e melhorias no sistema, garantindo um atendimento digno à população?
Pacientes vindos do interior da Bahia, de Salvador e de outros hospitais chegam ao local às 5h da manhã e, às 13h, ainda não conseguiram atendimento.
Diante de tudo isso, fica o questionamento direcionado ao Governo do Estado da Bahia: até quando a população continuará enfrentando tamanho sofrimento na saúde pública?
A situação é triste, lamentável e evidencia a falta de respeito com cidadãos que dependem exclusivamente do sistema público para buscar tratamento e qualidade de vida.
Com a palavra, o Governo do Estado da Bahia.
Visão Cidade


