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ALBA promove audiência para debater fortalecimento das bibliotecas públicas

A Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) promoveu, nesta quinta-feira (12), Dia Nacional do Bibliotecário, a audiência pública Biblioteca Pública: Lugar de Acolhimento e Emancipação, que lotou a Sala Deputado José Amando. A homenagem foi uma iniciativa da presidente do colegiado, deputada Olívia Santana (PC do B), que convidou gestores estaduais, dirigentes de instituições culturais, representantes de entidades de classe e de setores da sociedade civil para discutir questões relevantes sobre o fortalecimento das bibliotecas. 

“As bibliotecas não são ambientes de depósito de livros, mas locais que guardam a história da humanidade, com espaços dinâmicos de circulação da informação. A leitura transforma vidas, abre caminhos e fortalece a educação”, afirmou a parlamentar.

Olívia defendeu a realização de processo seletivo para a categoria de bibliotecários no estado, “garantindo profissionais qualificados para atuação nas bibliotecas públicas e escolares”, e falou sobre o Projeto de Lei nº 26.175/2026, de sua autoria, que está em tramitação na Casa Legislativa, criando a Política Estadual de Funcionamento, Estruturação, Organização e Aceso às Bibliotecas Públicas. 

Além dessas propostas, Olívia Santana citou a sugestão que fez ao Governo da Bahia no sentido de estabelecer parceria com o Grupo CCR para implantar bibliotecas e salas de leitura nas estacões do Metrô de Salvador. “Fizemos ainda uma indicação, ao presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, para a nacionalização da Biblioteca Central dos Barris, considerada a primeira biblioteca pública do Brasil e da América Latina, valorizando sua importância histórica e cultural para o país. Uma biblioteca viva significa comunidade que aprende, sonha e cresce”, salientou a presidente da Comissão.

FRAGILIDADE

Profissionais qualificados formaram a mesa de honra, discutindo soluções para a promoção da leitura, do acesso à informação e da emancipação social. Dalgiza Andrade, presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia, abordou diversos aspectos da profissão, que foi oficialmente reconhecida em 1980. A dirigente de classe destacou que as políticas públicas para as bibliotecas precisam de manutenção permanente e recordou o período da pandemia da Covid, quando muitos equipamentos foram fechados, revelando a fragilidade do setor com relação à dependência tecnológica. 

“A biblioteca pública possibilita a todo e qualquer cidadão enxergar para além do livro. Ela cumpre o papel de trabalhar as potencialidades que se tem dentro do equipamento cultural dessa natureza. Antes de ser um espaço de acolhimento, a biblioteca é um portal de conhecimento que traz mais oportunidades e futuro para a população”, declarou.

Sandro Magalhães, diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, participou da reunião como representante da Secretaria Estadual de Cultura. O gestor considerou de muita importância os debates que acontecem no Parlamento, “pois mobilizam cada vez mais os bibliotecários”. Ressaltou que as bibliotecas públicas são fundamentais para a política do livro e da leitura, especialmente para a juventude, um público que sempre está conectado na internet. 

“Temos um novo momento na comunicação do mundo. Precisamos avançar aliados às novas tecnologias, pois percebemos que os jovens têm interesse, e estamos investindo muito, aqui na Fundação Pedro Calmon, na mediação da leitura entre profissionais bibliotecários e os jovens”, garantiu o diretor. 

CLUBES DO LIVRO

Joyce da Paixão, que trabalha na Superintendência de Políticas para a Educação Básica, destacou que a Secretaria da Educação vem estimulando, há alguns anos, a criação dos clubes de livros nas bibliotecas das escolas, “espaços onde os estudantes mantêm o contato físico e até trocam livros”. 

Joyce lembrou que existem hoje 741 bibliotecas nos colégios da rede pública estadual de ensino, uma forma de incentivar o acesso às publicações, projetos acadêmicos e também às tecnologias. “É muito importante participar deste fórum de discussões, um espaço democrático onde compartilhamos informações e agregamos mais conhecimentos que vão fazer a diferença para nossos estudantes”, resumiu.

Coordenadora do Grupo de Trabalho de Bibliotecas Públicas, a conselheira federal Alessandra Atti conclamou a união da sociedade, das casas legislativas e do Ministério da Cultura para estabelecer um marco legal para as bibliotecas brasileiras, assegurando uma legislação que ampare o setor, com padrões específicos e estruturas mínimas dos equipamentos. “É preciso o reconhecimento das bibliotecas pelos municípios, pois, em muitos deles, é o único equipamento que leva cultura à população”, observou a conselheira.

Tamires Neves, que depois de quatro anos à frente da Diretoria Estadual de Bibliotecas Públicas vai retornar à docência na Universidade Federal da Bahia, destacou os investimentos oriundos da Lei Aldir Blanc. Ela informou que os recursos serão destinados para requalificação da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato (R$ 3 milhões) e Biblioteca Central dos Barris (R$ 7 milhões). “Sigo agora na veia acadêmica à disposição da área”, finalizou agradecida a professora, ao se despedir com êxito do cargo público. 

Também participaram do debate o secretário de Cultura de Madre de Deus, Cláudio Sílva, representando os municípios baianos, e Bianca Paiva, representante estudantil da Ufba. No final da audiência, que durou quase três horas, a deputada Olívia Santana entregou uma placa comemorativa em homenagem à bibliotecária Maria Aline Pinheiro, pelos 37 anos dedicados ao trabalho em bibliotecas públicas do Estado da Bahia.

Reportagem: Nivaldo Costa

Edição: Luciano Aguiar 

ALBA

(Foto: Visão Cidade)

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