O PT no Nordeste: corrosão eleitoral e o contraste com Flávio Bolsonaro no restante do país

Os sinais de desgaste eleitoral do PT no Nordeste, região que por anos funcionou como seu principal colchão de votos, começam a aparecer com mais nitidez nas disputas estaduais. Os recortes de Maranhão, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte apontam um padrão: dificuldade de unidade, problemas de sucessão e perda de protagonismo para aliados ou adversários mais competitivos. O que antes era uma “zona de conforto” vira terreno de negociação, improviso e risco.
No Maranhão, a fotografia é de desarticulação. O governador Carlos Brandão rompeu com o vice Felipe Camarão (PT) e passou a defender o nome do sobrinho, Orleans Brandão (MDB). A pesquisa Real Time Big Data (dezembro) coloca o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), na frente com 43%, seguido por Orleans com 29% e Camarão com 7%. O PT segue na base de Brandão, mas em posição defensiva, à espera de uma intervenção de Lula para costurar o impasse. Quando o partido depende de arbitragem externa para manter coesão local, perde tempo e agenda.
No Ceará, o problema é ainda mais simbólico: a liderança nas pesquisas está com Ciro Gomes, que aparece com 44,8% no levantamento citado, enquanto o governador Elmano de Freitas (PT) marca 34,2%. A especulação sobre uma troca de candidatura — com Camilo Santana no radar — expõe uma fragilidade clássica: quando a reeleição deixa de parecer “natural”, a base entra em modo crise e a oposição ganha narrativa.
Na Bahia, mesmo sob gestão petista desde 2007, o cenário se inverte: a pesquisa mencionada aponta ACM Neto (União) liderando com 44%, à frente do governador Jerônimo Rodrigues (PT), com 35%. No Rio Grande do Norte, o quadro é descrito como crítico: o vice Walter Alves (MDB) já disse que não disputará, enquanto Cadu Xavier (PT) aparece com 10%, distante de Allysson Bezerra (36%) e Rogério Marinho (34%).
Por; Jorge Andrade


