Retorno para casa: Um exercício de paciência no ferry-boat

Entra ano, sai ano, e sempre que chegam o final de ano, o Carnaval ou os grandes feriados prolongados, o cenário se repete: filas quilométricas e intermináveis para a travessia no sistema ferry-boat com destino à Ilha de Itaparica, ao Recôncavo Sul e ao Baixo Sul da Bahia. Não tem jeito, é sempre assim. Como já dizia minha avó: “muda a lama, mas o caranguejo é o mesmo”.
Se a dificuldade já foi grande na ida para os destinos mais procurados, agora é preciso se preparar para o retorno a Salvador. Pela lógica da matemática operacional, as viagens realizadas desde o dia 20 de dezembro registraram um volume extremamente alto de veículos e pedestres, diariamente, até o dia 31, culminando na virada do ano. O problema é que, no retorno, a maioria das pessoas tenta voltar praticamente no mesmo dia, o que agrava ainda mais a situação.
Resta agora aguardar os fatos e, consequentemente, as reclamações — que já são previsíveis, recorrentes e, de certa forma, até aceitáveis diante da falta de soluções estruturais para o sistema.
Mais uma vez, volta à tona a discussão sobre a tão sonhada Ponte Salvador–Itaparica. Será que ela resolveria de fato o problema ou apenas transferiria o gargalo dos terminais do ferry para as praças de pedágio? Um ponto é certo: o tempo de travessia seria reduzido, girando em torno de 30 a 40 minutos, a depender do fluxo de veículos.
Outra dúvida frequente é se o sistema ferry-boat deixaria de existir com a eventual construção da ponte — um projeto que já dura mais de duas décadas apenas no papel, sem sair das linhas mal traçadas. O atual governador, mais uma vez, prometeu que no primeiro semestre de 2026 terá início a construção da ponte. Palavras do governador. Agora, resta aguardar para ver se a promessa finalmente se transformará em compromisso cumprido.
Enquanto isso, para quem retorna a Salvador, o cenário é conhecido: mais uma longa espera e mais um grande exercício de paciência.
Visão Cidade


